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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

16
Fev19

Foda**


Hikarry

Ando a tentar perder peso à força toda; o meu problema é que está frio de manhã e, quando chego à cidade, o único sitio que está aberto é uma das melhores pastelarias da cidade. 

Lá vai a menina ao balcão para pedir uma garrafa de água, só para estar sentada à espera da hora do trabalho, e lá vai ela para a mesa com um mil folhas e um chá.

 

15
Fev19

Inverno


Hikarry

Gosto do inverno e do outono.

Sim, gosto do vento, das tempestades, do frio. Julguem-me.

Adoro um diazinho de nevoeiro e uma rajada de vento a dar-me uma estaladona na cara para acordar logo de manhã.

Tenho problemas respiratórios então, tudo fica mais fácil no inverno, sem aquele calor sufocante e ainda tem a vantagem de poder beber cappuccinos a ferver sem suar ou sentar-me à lareira a ler um bom livro enquanto bebo um chá. 

O que não há para amar no frio?

 

14
Fev19

My only valentine


Hikarry

Bem...dia dos namorados, hum? 

Não o vou comemorar; vou passa-lo a trabalhar e a estudar, mas posso sempre recordar.

Em toda a minha vida, só tive um verdadeiro valentine (a rapariga dos olhos verdes, para quem leu o post ontem) e a nossa relação foi feita de pequenos e enormes momentos românticos.

Antes de começar-mos a namorar, andávamos no teatro juntas. Lembro-me de um dia o nosso professor lhe ter dito algumas coisas menos boas e ela ficou em baixo. Eu apercebi-me disso, mas decidi deixa-la respirar.

Como sempre, no intervalo dos ensaios, a malta foi toda para o café comprar algo para comer. Eu agarrei no braço dela e trouxe-a comigo, mas ela escapuliu-se enquanto eu estava a pedir a minha garrafa de água. 

Quando saí do café, ela estava sentada no banco quase ali à porta. Sentei-me do lado dela e peguei na mão dela, em silencio. Deixámos todos voltarem para dentro e ficámos ali, caladas, até o tempo do intervalo acabar. Lembro-me de lhe pedir para irmos para dentro, porque estava frio, ao que ela respondeu:

"Vai tu, o professor precisa mais de ti do que eu." 

Limitei-me a olhar para ela e comecei a ir-me embora. Ouvi-a chamar-me, mas não olhei para trás. De repente, senti-a agarrar a minha mão e puxar-me. Ela abraçou-me e ficámos ali, em silencio. Até eu pegar na mão dela e voltar-mos para dentro.

Começámos a namorar poucos meses depois, enquanto ela estava a fazer intercâmbio em Lisboa.

Nenhum dos nossos amigos sabiam que namorávamos, mas ajudaram-na a pregar-me um susto.

Estava no ensaio, numa terça feira, quando ela me ligou. Fui para o camarim e ela disse-me que tinha caído no hotel onde estava a estagiar. Tentei não mostrar-lhe o quão em pânico eu estava e continuei a conversar, enquanto ela tentava despachar-me.

Desliguei a chamada e voltei de novo para o palco, cabis-baixa. O meu melhor amigo estava a rir-se (idiota), quando ela entrou pela porta principal do teatro.

"Vou matar-te!" foram as primeiras palavras que disse à minha namorada quando a vi pela primeira vez depois de começar-mos a namorar e corri atrás dela pelos bancos do publico até ela me deixar apanha-la. Ainda lhe dei alguns socos no peito, com lágrimas nos olhos, mas acabei por abraça-la e assim fiquei, que nem lapa, agarrada a ela até à altura de irmos embora.

Ela voltou para Lisboa dois dias depois. Só nos voltámos a ver no dia 8 de Fevereiro, o dia em que ela voltou para casa.

Ambos os meus melhores amigos já sabiam e nós tínhamos planeado ir a um encontro. Vesti o meu vestido preto e os meus saltos por baixo da roupa normal e fui para casa da minha melhor amiga, dizendo ao meu pai que "Ah, vou sair com o pessoal". 

Mudei de roupa lá, a Arya guardou as minhas roupas e, quanto mais a hora se aproximava, mais o meu estômago se embrulhava.

Alguns minutos antes da hora marcada, desci as escadas do prédio da minha melhor amiga, toda aperaltada, e encostei-me à parede do lado da porta, à espera.

Para se chegar aos prédios da minha melhor amiga, tem que se descer umas escadas que ficavam ao fundo da rua e foi nessas escadas, com o barulho das botas dela a desce-las, que eu senti o meu coração a parar. Não me mexi até ela se aproximar.

"Se não vai olhar para mim, mais vale ir-me embora."

"Cala-te."

O melhor começo de encontro que eu já tive; sem ironia.

Puxei-a para um abraço e lá ficámos, uns bons 5 minutos, feitas idiotas em silencio enquanto nos apertava-mos uma contra as outras, como se tivéssemos medo que a outra fosse embora, até a Arya descer e o Gu aparecer.

Foram muitos os pequenos momentos preciosos que tivemos:

Ela a dar-me o casaco para eu não ficar com frio (ou para os rapazes não olharem para mim naquele vestido).

Dançar-mos na sala de estar dela enquanto limpava-mos a casa.

Ficar-mos sem fazer nada no sofá.

Dormir assim.

E acordar assim.

Lembro-me de, à precisamente 3 anos atrás, eu ter chegado a casa dela e ela me ter oferecido um bolo red velvet em forma de coração, que nós comemos enquanto víamos um filme no sofá.

Lembro-me das férias que passamos na casa dos avós dela; de irmos para um sitio alto com vista para a toda a aldeia onde nós sentamos de mãos dadas, com a minha cabeça deitada no ombro dela, de me levantar da cama e ela automaticamente apalpar o meu lugar à minha procura e abraçar a minha almofada, de irmos para a beira do rio onde ela me ensinou a fazer com que os seixos saltassem na água (I still don't know how to do it).

Lembro-me de tanta coisa, mas lembro-me, principalmente, que ela foi o melhor valentine que eu alguma vez podia ter tido.

Pode ter acabado, mas fico feliz que tenha acontecido.

Foi um ano, mas foi a melhor eternidade que alguma vez vivi.

 

 

13
Fev19

Write My Life


Hikarry

Alguém se lembra daquele desafio que se fazia para ai em 2014 no youtube chamado "Draw My Life"?

Ontem, depois do trabalho, não tinha mais nada que fazer e, depois de ver Bohemian Rhapsody (pela terceira vez) com a minha melhor amiga, começamos a ver esses vídeos antigos no youtube e eu pensei "Porque não colocar isto no blog...mas em palavras...e sem dar a perceber quem sou eu se alguém que eu conheço ler isto...?". Vai ser difícil, porque não vou poder dar muitas informações, mas...Challenge Accepted

Então, tudo começou com um rapaz e uma rapariga que se conheceram numa discoteca manhosa. Apaixonaram-se e, 4 meses depois de estarem a namorar, casaram-se, porque o pai da rapariga expulsou-a de casa e esse era o único jeito dos pais do rapaz a aceitarem na casa deles.

Um ano depois, eles tiveram uma menina; eu. O bebé que toda a gente pensava que era um rapaz porque estava sempre vestido de azul e amarelo! (Oh, the sweet irony of life!)

Era suposto eu ser a única filha, mas: OOPS, lá veio outro a caminho 3 anos e muitos meses depois. E foi assim que nasceu o meu irmão; totalmente por acidente. 

Os anos foram passando e, entre o bullying da primaria e as amizades da secundaria, eu fundei um negocio.

Todas as manhãs, os meus pais iam a um café beber o seu cafezinho habitual e onde a dona me dava pastilhas TODOS OS DIAS; eu gostava de pastilhas, mas pensei: "Hum...eu gosto de pastilhas. Todos os miúdos gostam de pastilhas...E se..?" E foi assim que comecei a vender pastilhas que mudavam a língua para azul e outros sabores para a escola a 10 cêntimos cada. Quando dei por mim, roubaram-me a ideia e os miúdos mais velhos começaram a ir comprar boiões enormes cheios de chupa-chupas a uma loja de doces que havia perto da escola para vender aos miúdos enquanto esperavam pelo autocarro...Cheaters.

O negocio das pastilhas não durou muito e pouca gente sabe dele então...Foi apenas uma curiosidade.

Em 2009 a minha avó e a minha mãe tiveram uma discussão enormíssima. A minha mãe implorou ao meu pai para mudar de casa e lá fomos nós...Praticamente para o fundo da rua.

Em 2014, andava eu no 9º ano, a minha professora de português falou num clube de teatro que ia abrir na cidade e perguntou se alguém estava interessado. Eu era envergonhada, então QUASE não disse nada, se a minha melhor amiga não me levanta-se o braço. Foi assim que eu comecei, realmente no teatro.

O dia das audições deixou-me nervosa. O professor que, no inicio, me assustou, mandou-nos sentar no palco enquanto ele anotava os nossos nomes no computador. 

Eu estava intimidada, mas respirei fundo e sentei-me junto de uma rapariga de cabelos pretos encaracolados. Conversámos e foi a primeira amiga que fiz ali. Os ensaios foram passando e eu comecei a prestar muita atenção numa rapariga ali; demasiada atenção. Mal sabia eu que aqueles olhos verdes me iam tramar mais tarde.

Chegou o 10º e eu tinha que fazer uma escolha: Humanidades ou Científicos? Claro que eu queria tirar humanidades! Implorei ao meu pai para me deixar tirar humanidades, mas ele sempre sonhou comigo numa carreira de saúde enquanto eu sufocava os seus sonhos com uma carreira no teatro e lá vou eu...para um curso que eu odeio.

Foi nesse ano, durante as férias de verão, que comecei a ver uma serie chamada Once Upon a Time. Como partilhadora de posts no facebook que era, eu passava a vida a partilhar coisas sobre essa série que, até hoje, é a minha serie favorita (Guess why, tho).

Numa tarde de Junho, eu recebo uma mensagem:

Hey, vi aquela série dos teus posts. Adorei!

(Yup, I remember.)

Os dias foram passando, muitos dias durante toda as ferias de verão, até ao dia em que nos vimos pela primeira vez, algures em Setembro, depois de 2 meses e algo só a mandar mensagem.

Foi estranho? Foi, mas tudo ficou mais leve passado um pouco. Tudo começou como uma brincadeira mas, tempo vem tempo vai, eu comecei a sentir algo muito estranho por aquela rapariga. 

Fui com a minha turma a uma "visita guiada" à escola dela e, god damn, adoro uma mulher em uniforme.

O tempo foi passando e, em Dezembro de 2015, tudo começou. O melhor ano da minha vida começou e o pior da minha vida veio logo a seguir, juntamente com o próximo.

O tempo, a paciência da minha psicóloga e ela ajudaram-me a superar isso, mas, uma parte de mim, não queria continuar a ser gay. 

Tentei. Tentei demais. Namorei com um rapaz, tentei de tudo, inclusive ver porno hetero sem me apetecer trazer um balde atrás de mim, mas nada resultou. Apenas...Não colou. 

Tenho 18 anos. Adoro pizza. Trabalho num supermercado. Estou a tirar um curso à noite. Estou nem pouco mais ou menos virada para o lado amorosa da vida. E, se um camião não me passar por cima nos próximos anos, vou ter muito mais para contar daqui a uns tempos porque, sinceramente, eu bloqueei a maior parte das memorias da minha infância e é impossível eu dar mais informações sem desvendar quem é o 007 que vos fala deste lado do ecrã então...

 

 

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