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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

02
Jul20

Macaquices Bilingues


Hikarry

Falo para aí 2 línguas (mal e porcamente, devido a má pronunciação ocasional e falta de c's aleatórios ou acentos ou coisas assim) e dou uns toques em mais algumas (e até poderia falar mais ou menos francês se não me tivesse descuidado no secundário ou se o meu professor de francês na faculdade não fosse um preguiçoso incompetente e tivesse dado alguma aula durante a quarentena). Ando, lentamente, a tentar aprender mais algumas línguas, mas se já me vejo grega a tentar lembrar-me de algumas palavras nas duas línguas que falo, imaginem quando forem mais!

Aquele momento em que sabemos a palavra numa língua e não na outra sendo que a pessoa que está connosco não fala a dita cuja é um tormento! Ainda ontem estava eu a falar de assassinatos motivados por rituais satânicos (não perguntem porquê, okay? Nem chamem a policia. Eu só tenho curiosidade e “interesses” estranhos) e empanquei na palavra adorar. Só me lembrava de worship. Lá estive eu, tal macaca, a gesticular, a tentar arranjar sinónimos, a gaguejar, a tentar explicar – sem qualquer êxito – o que é que eu estava a tentar dizer durante uns bons 10 minutos.

Eu: “Aquela coisa que se faz nas igrejas!”

Meu rico pai: “…oferenda?”

Eu: “Não! Aquilo que as pessoas fazem quando rezam aos santos ou lá o que é. Também podes fazer em casa.”

Meu rico pai: “Bem…é isso. Rezar?”

Eu:Opah, não! Worship! Aquilo que se faz quando acreditas numa coisa! Ou quando gostas obsessivamente de uma pessoa! – Pausa para pensamento. – Aquilo que os muçulmanos têm que fazer todos os dias virados para Meca, acho eu, ou quando estão em Meca.”

Meu rico pai: “Pois; rezar.”

Eu: “Não! Olha, quando nos desenhos animados antigos o pessoal está a pedir perdão e se põe de joelhos a mover os braços para cima e para baixo assim:” – Maria Hikarry procede em explicações visuais.

Não sei ambos temos baixo nível de intelecto ou somos simplesmente parvos, mas a verdade é que num jogo de charadas nem eu nem ele nos safávamos e ficaríamos presos num loop interminável de parvoíce.

Lá acabei por me lembrar que tenho o tradutor no telemóvel e finalmente descobrir a bendita palavra. Tudo só para dizer “Porque há pessoas que worship/adoram o Diabo de uma maneira tão obsessiva que fazem estas coisas.” (Que fique aqui registado que eu não acredito no Diabo, nem em Deus, nem em Allah, nem em Buda, nem em coisa que se pareça, então ninguém que se ofenda).

Mas isto é um cenário constante, para não falar nas vezes em que eu sei o que quero dizer, mas não me lembro da palavra em nenhuma língua!

27
Jun20

Debate Doce


Hikarry

No outro dia rebentou uma polémica parva (mas interessante) na minha família.

Tinha feito uns pudins de leite de creme e metade da malta pegou logo nas taças e enfiou a colher. A outra metade começou a reclamar que o pudim só se podia comer frio. Daí veio “Aí sim? Que parvoíce. É a mesma coisa que dizer que arroz doce também é só frio!” e o outro lado do debate respondeu “Pois é! Vais ficar maldisposto se comeres agora!”.

Foi interessante assistir a um mini-debate sobre temperatura de sobremesas. E, verdade seja dita, os únicos que se sentiram maldispostos foram os do “pudim frio” que não conseguiram esperar que o bem dito arrefecesse e meteram à boca.

Não passou de uma disputa engraçada e com algum humor por parte dos dois partidos, mas agora fica a questão: Sobremesas quentes ou frias?

20
Mai20

Mulheres da Historia: Kathrine Switzer #3


Hikarry

Nascida em Amberg, na Alemanha, a 5 de janeiro de 1947, Kathrine Virginia Switzer é uma ex-maratonista que fez historia ao ser a primeira mulher a participar na Maratona de Boston com um numero no dia 17 de abril de 1967. Nessa altura, ela era estudante de jornalismo e integrava a equipa de cross country (que até então só era composta por homens) na Universidade de Syracuse.

A ideia de participar na maratona surgiu-lhe enquanto ela conversava com o treinador da equipa sobre as vezes em que ele participou na mesma. Quando Kathrine contou a ideia ao treinador a primeira coisa que ele disse foi:

“As mulheres são demasiado frágeis para uma maratona.”

Ela insistiu tanto que Arnie Briggs, o treinador, propôs um acordo: se ela conseguisse correr a distancia da maratona durante um treino, ele própria levava-a a Boston. E assim foi feito. Ela conseguiu esse objetivo e ainda correu mais 10 quilómetros só para “ter a certeza que conseguia”.

Oficialmente, as mulheres não eram proibidas de participar na Maratona de Boston, porém, nenhuma o fazia pela crença enraizada de que as mulheres eram fracas demais para uma atividade tão intensa. Algumas pessoas chegavam ao cumulo de acreditar que tal esforço faria com as mulheres ficassem com as pernas desfiguradas, por exemplo.

Com o numero 261 no peito, Kathrine foi muito bem-recebida pelo resto dos participantes que lhe perguntavam se podiam tirar fotografias com ela e lhe pediam conselhos de como convencer as suas mulheres/namoradas a correr também.

No quilometro 3 da maratona Jock Semple, um dos coordenadores do evento, apercebeu-se da sua presença na pista e correu atrás dela, empurrando-a e mandando-a embora. O namorado de Kathrine, que também estava a participar da maratona, correu até ela e empurrou Jock, para que Kathrine continuasse e, depois de 4h20min do começo da maratona, ela alcançou a meta.

Em 1972, ela ajudou a oficializar a categoria feminina na Maratona de Boston e, depois disso, o numero de pedidos ao Comité Olímpico para a permissão de mulheres na maratona olímpica disparou. No ano de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, esses pedidos foram ouvidos e essa “novidade” continua a ser uma realidade até aos dias de hoje.

Em 1974, Kathrine venceu a Maratona de Nova York com um tempo de 3h07min19s e, no ano seguinte, ficou em segundo lugar em Boston com um tempo de 2h51min37s.

Kathrine é, atualmente, comentadora televisiva e continua a lutar pela igualdade de género, dando palestras em todo o mundo onde fala da sua experiência.

Até hoje Kathrine Switzer correu em 35 maratonas, criou programas de desporto para mulheres em 27 países, escreveu um livro e integra, desde 2011, o Passeio da Fama das Mulheres nos Estados Unidos.

19
Mai20

O que será o "consentimento"?


Hikarry

Não sou uma expert da mente humana (extremamente longe disso), mas gosto de fazer notas mentais de coisas que ouço e, muitas vezes, coisas que vivo e que parecem “normal” para certas pessoas. Sou eu que sou anormal ou é o mundo que está estranho? Uma das coisas que eu mais noto é a teimosia em aceitar um não e conseguir perceber que um sim é um sim e um não é um não e não um “desafio-te a mudares-me as ideias”.

Vamos a uns exemplos, shall we?

Na fila para as inscrições da faculdade comecei a falar com o rapaz que estava à minha frente (vamos chama-lo…BundaAddict) que, por coincidência, era do mesmo curso que eu. Ele era um bocado estranho, mas foi a primeira pessoa que conheci ali e eu (parva) tentei ignorar os meus instintos e comecei a a criar uma espécie de amizade com ele.

Saímos varias vezes e ele costumava fazer vários comentários que me deixavam desconfortável e, possivelmente, o que ouvi mais foi: “Tens um rabo fantástico. Só me apetece agarra-lo e fazê-lo meu!(percebem o nome agora?). Eu ria (porque era parva e ingénua e pensava que era uma brincadeira), mas pedia-lhe para parar. E vocês dizem “Ah e tal, mas é um elogio. Tu também és cá uma esquisita!” Eu e o Bunda Addict só nos conhecíamos à 1 semana! E, mesmo que nos conhecêssemos à 3 anos: se uma pessoa te diz para parar e te diz que está desconfortável, tu paras. Pronto. Finito.

Eventualmente, ele pediu desculpa e disse que ia parar e, realmente, parou. Durante uma semana.

Ele veio à minha casa. Estávamos no meu quarto a ver um filme para um trabalho no pc dele. Eu estava sentada na cadeira da secretaria e ele estava sentado na beira da cama, um pouco atrás de mim. O filme acabou e eu levantei-me para ir buscar uns apontamentos quando, de repente, ele agarrou-me pela cintura e atirou-me para a cama, vindo para cima de mim.

As minhas mãos começaram a tremer enquanto eu o tentava empurrar e dizia “não” e “para”.

O telemóvel dele tocou. O pai dele estava lá em baixo para leva-lo à faculdade e tratar não sei de quê.

Ele saiu de cima de mim, disse “volto depois” e foi embora.

Não sei quanto tempo se passou, mas, na minha cabeça, desde ele sair de cima de mim até eu ouvir a porta da casa a bater pareciam ter passado 2 segundos.

Comecei a ter um ataque de pânico. O meu primeiro instinto foi mandar mensagem ao meu ex (atualmente um dos meus melhores amigos) porque eu precisava de falar com alguém, de sentir que estava com alguém mesmo que não estivesse e ele sempre me fez sentir segura. Ele não respondeu logo, porque estava em aula, mas eu precisava urgentemente de um “logo” então mandei mensagem a mais uma mão cheia de pessoas até a minha colega de casa me responder. Ela, que já estava a voltar, apareceu dentro de minutos e, pouco tempo depois, a campainha tocou. Era o Bunda Addict. Ele ligou-me, mandou mensagem e gritou o meu nome lá de fora. Comecei a tremer enquanto ouvia a minha colega de casa abrir a porta, descer até à entrada do prédio e manda-lo embora.

Nós tínhamos 2 cadeiras juntos. Escusado será dizer que fiquei com medo de ir a ambas, mas, depois de 2 dias a faltar, decidi engolir o medo e fazer frente. Sentei-me com uma amiga e ele sentou-me mesmo atrás de mim. A meio da aula, a minha amiga teve que ir embora e, mal ela se levantou, ele sentou-se ao meu lado. Continuei a olhar para a frente e a tentar manter-me calma quando senti a mão dele na minha coxa. Sacudi a mão dele, mas ele voltou a tocar-me na coxa, ainda mais em cima, e apertou-a. Assustada, levantei-me e escondi-me na casa de banho. Dois dias depois consegui mudar de turma nessa cadeira.

Passou uns 2 dias a mandar-me mensagens um pouco…inapropriadas até eu o bloquear.

No dia seguinte, estava eu a sair da faculdade quando ouvi alguém a chamar o meu nome. Olhei para trás e era ele. Comecei a andar mais depressa e, já a meio do caminho de casa, ele ainda estava atrás de mim. Mudei de passeio duas vezes e ele imitava-me. Comecei a suar e os meus olhos a lacrimejar até eu sentir um braço à volta dos meus ombros. Quase que tive um colapso cardíaco antes de perceber que era o meu tio de praxe que acabou por me acompanhar até casa.

O rapaz nunca mais se meteu comigo, por divina graça do espírito santo. Mas ainda me dá uns suores frios quando o vejo nos corredores da faculdades.

Durante quase um mês vivi em medo e quase desisti de algumas cadeiras por causa dele. Isto foi 1 mês. Imaginem aquelas pessoas que vivem isto, ou pior, quase a vida toda. Tudo porque há gente que não compreende o que é um “não” e porque, muitas vezes, ficamos toldados pelo medo.

Ah, mas a culpa é tua! Tu deste-lhe confiança!” Pois dei! E fui muito, muito parva! Mas, independente disso, um não permanece um não. Se um consentimento não é dado, não se deve avançar.

O meu exemplo é longo, mas até em historias mais curtas e genéricas como: “Ela/e estava bêbeda/o.”,  "Ela/e disse que sim no inicio! Lá no meio é que disse que não!” “Ela/e disse que sim ontem, hoje é que está a dizer que não!”. Em algum desses casos há consentimento? Não. Em nenhum dos casos.

Acredito que numa relação minimamente saudável (seja amizade ou o que for) se um dos lados pedir para parar, por qualquer que seja o motivo, o outro, por lógica, não deveria forçar. É um direito mudar de ideias, seja no dia seguinte, na hora seguinte ou no segundo seguinte.

Metes-te te a jeito!

Estavas a pedi-las!

Foste ingénua!

Não consigo entender porquê, mas a culpa parece cair sempre sobre o abusado e não sobre o abusador.

 

18
Mai20

Mulheres da História: Malala Yousafzai #2


Hikarry

Esta cachopa já está nos livros de história? Na minha época não estava, mas, hoje em dia se não está, deveria estar.

Malala Yousafzai nasceu a 12 de julho de 1997. É uma ativista paquistanesa e foi a pessoa mais nova a receber um prémio Nobel de sempre. É conhecida pela defesa dos direitos das crianças, principalmente, ao acesso à educação no vale do Swat, a sua terra natal, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs impedem as jovens de frequentar a escola.

No inicio de 2009, por volta dos 12 anos de idade, Malala começou a escrever um blog (“Diário de Uma Estudante Paquistanesa”), sob o pseudónimo “Gul Makai”, quando um jornalista da BBC perguntou ao seu pai, que era dono da escola onde ela estudava, se alguns alunos estariam dispostos a falar sobre o seu quotidiano sob o regime dos talibãs. No blog ela falava sobre isso e sobre o seu ponto de vista em relação à educação dos jovens no vale do Swat. Em poucos meses a identidade de Malala foi revelada. No verão desse ano, o New York Times publicou um documentário sobre o quotidiano de Malala à medida que o exercito paquistanês intervinha na região.

A 9 de outubro de 2012, ao sair da escola, Malala foi atacada por um homem armado que a baleou no crânio, deixando-a inconsciente e em estado grave. No dia seguinte ao ataque, o ministro do Interior do Paquistão afirmou que o atirador tinha sido identificado. Malala foi operada e, a 15 de outubro, quando o seu estado clínico melhorou, ela foi transferida para o hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, na Inglaterra. Malala só veio a deixar o hospital no dia 4 de janeiro de 2013. A tentativa de assassinato desencadeou um movimento de apoio internacional.

A popularidade da Malala aumentou consideravelmente quando ela começou a dar entrevistas na imprensa e na televisão, acabando por ser nomeada para o Prémio Internacional da Criança em 2014, mas, no ano anterior, ela já tinha sido capa da revista Times, recebido o prémio Sakharov (atribuído pelo Parlamento Europeu), discursado na cede da ONU, em Nova York, e inaugurado, em Birmingham, a maior biblioteca publica da Europa. A 10 de outubro de 2014, ela recebeu o Nobel da Paz (cujo foi partilhado com o ativista indiano Kailash Satyarthi) e assim, com apenas 17 anos, Malala tornou-se a pessoa mais jovem a receber esse prémio.

No dia 29 de março de 2018, Malala voltou ao Paquistão, depois de seis anos, onde se encontrou com o primeiro-ministro paquistanês.

Atualmente, ela vive com a sua família na Inglaterra, mas ainda tem o desejo de voltar ao seu país definitivamente e entrar para a política.

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