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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

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21
Dez18

Casos misteriosos: O assalto do colar bomba #3


Hikarry

Senhores, como eu acho este aqui particularmente bizarro! É um texto extenso, porque este caso dá voltas e mais voltas, mas, para quem se interessa por estas coisas, juro que é extremamente fascinante.

A 28 de agosto de 2003, alguém telefona para uma pizaria (Mama Mia's Pizza) na hora do almoço.

O dono da pizaria, Tony Ditmo, atende a chamada e aponta o pedido de duas pizzas grandes de salsicha e peperonni, mas não consegue perceber quando o cliente lhe diz a morada onde deveriam ser entregues, então ele dá o telefone ao seu empregado, Brian Wells (46 anos), que finalmente percebe a morada e dirige-se para lá com as pizzas. 

Do nada, duas horas depois, a cara de Wells começa a aparecer em todos os canais de noticias, ao vivo, acusando-o de estar a assaltar um banco. Ele é algemado pela policia no estacionamento da loja EyeGlass World com uma bomba amarrada ao seu pescoço. 

Wells diz à policia que a bomba foi presa a ele por um grupo de homens negros que o mandaram assaltar o banco. Ele tentou explicar a sua situação, bastante complicada, à policia durante algum tempo até dizer:

Porque é que ninguém tenta tirar-me isto? Eu não tenho muito tempo...Vai explodir. Eu não estou a mentir. Vocês ligaram ao meu patrão?

Às 15:18, o colar com a bomba começa a apitar e a bomba acaba por explodir, fazendo Wells cair para trás e ter uma morte lenta e dolorosa. Apenas dois minutos depois o esquadrão antibomba apareceu. 

A polici encontrou varias paginas com instruções que explicavam a Wells como roubar o banco e remover o colar. Isso parecia confirmar o que Wells disse antes de morrer, mas mais evidencias apareceram que colocaram Wells numa posição não apenas de vitima, mas colaborador. 

No dia do acontecido, Wells aceitou levar o pedido, embora estivesse no final do seu turno.

A policia descobriu que a morada que lhe foi dada não era um casa, mas uma torre de antena de televisão numa zona florestal, onde só era possível chegar através de uma estrada de terra. Durante a investigação, a policia encontrou pegadas que condiziam com o tamanho do pé e o tipo de sapato que Wells estava a usar quando foi capturado pela policia e marcas de pneus que condiziam com o carro que ele tinha levado da pizaria para fazer a entrega, mas não havia pistas do que poderia ter acontecido quando ele chegou. 

Wells estava vestido com uma camisola branca com a palavra "Guess" (Adivinha) desenhada no peito, uma camisola que o dono da pizaria disse que ele não estava a vestir quando saiu para fazer a tal entrega. 

Nas folhas com instruções, que referi em cima, estava escrito:

  • Vai para o banco calmamente;
  • Entra com a arma que te deram;
  • Tenta não colocar os banqueiros ou os caixa em pânico;
  • Usa a arma se alguém não cooperar ou tentar sair do banco;

John Sekel, uma testemunha do roubo, viu Wells entrar no banco com uma Shotgun disfarçada como uma bengala e o que parecia ser uma caixa de sapatos debaixo da camisola. Wells deu um envelope branco a um caixa. Dentro do envelope estava um bilhete que dizia:

Junta empregados com acesso aos códigos do cofre e trabalha rápido para encher o saco com 250000 dólares. Tens apenas 15 minutos.

O caixa gritou "Audrey!" que, embora pareça o nome de alguém, é um código utilizado nos bancos americanos que significa roubo. O caixa disse a Wells que não havia maneira de entrar no cofre só em 15 minutos e que só lhe conseguiria dar 8702 dólares. A testemunha também disse que um grupo de pessoal, onde ele estava incluído, passou por Wells e ele nem pestanejou. Wells não parecia assustado, mas calmo.

Uma mulher ligou para o numero das emergências (911) e três minutos depois Wells saiu do banco com um chupa-chupa na boca que ele tinha tirado duma taça que estava num dos balcões do banco e entrou no carro. 

As paginas de instruções continuavam com:

  • Sai do banco com o dinheiro e vai ao Mc'Donalds. 
  • Sai do carro e vai para junto do sinal de Drive Thru. Junto do sinal à uma pedra com um bilhete colado. São as tuas próximas instruções.

No Mc'Donalds, Well encontrou um bilhete de duas paginas que o mandava ir a uma área florestal a vários quilómetros de distancia. Pouco tempo depois, Wells foi parado pela policia e algemado enquanto ele lhes tentava explicar a situação. 

A policia deixou-o sentado no chão enquanto ele gritava por ajuda e só chamaram o esquadrão antibomba quando confirmaram que havia uma bomba presa ao pescoço dele. 

As paginas com instruções diziam que o colar só podia ser retirado com as instruções deles. Ele iria estar a ser vigiado constantemente e se alguém interferi-se ou o seguisse, eles deixariam a bomba explodir. Se ele anda-se pela cidade a juntar códigos e passwords que o ajudariam a desarmar a bomba, ele acabaria por descobrir a combinação total para tirar a bomba do pescoço, o que era impossível.

Era impossível um homem adulto assaltar um banco e andar a passear pela cidade com um objeto estranho por baixo da camisola sem a policia aparecer. 

Os policias tentaram continuar a descobrir os códigos que seriam necessários algumas horas depois da morte de Wells. Andaram nisso durante horas, até chegarem na ultima pista que estava em branco. Ou quem estava a planear aquilo já tinha em mente não deixar Wells vivo e apenas brincar com ele ou quando viu a policia a continuar o jogo, eles pararam. 

Vários suspeitos foram apontados, sendo um deles William A. Rothstein, um professor que dava aulas de mecânica numa escola secundaria. Menos de um mês depois do incidente, William telefonou para a policia e disse uma morada, afirmando que na garagem da casa onde ficava a morada, estava um congelador com um corpo. A morada dava diretamente para a casa dele e ele disse que o corpo estava lá, porque estava a guarda-lo para um amigo.

O tal "amigo" era uma mulher chamada Marjorie Diehl-Armstrong e o corpo era de um homem de 45 anos chamado James Roden, que tinha sido assassinado pela sua namorada Marjoire com um tiro enquanto dormia. O assassinato aconteceu a 13 de agosto de 2003, 6 semanas antes de William dizer onde estava o corpo. William já tinha ficado noivo duas vezes de Marjoirie, o que explicaria, dado a historia deles, o porquê de ele ter ajudado, mas ele desistiu quando ela sugeriu meter o corpo congelado do ex namorado num triturador de gelo. Ele foi levado em prisão preventiva algumas horas depois.

A policia encontrou uma nota de suicídio na sua mesinha de cabeceira que começava com:

Isto não tem nada a ver com o caso do Wells.

Isso foi estranho, então a policia investigou mais a fundo.

Os dois homens pareciam não ter nenhuma conexão, excluindo que a casa de William era nas redondezas do sitio onde Wells tinha ido entregar a pizza no dia do roubo. Isso, ligado com o seu conhecimento em mecânica, tornou tudo muito suspeito. E, embora tivesse sido possível que Wiliam tivesse feito a bomba, o FBI - que foi, mais tarde, trazido para o caso - não acreditava que ele tinha sido o cérebro por detrás daquilo tudo. O que nos leva de novo à Marjorie.

Marjorie já tinha morto alguém antes do ex namorado, outro ex namorado, Robert Thomas, em 1984, mas ela foi absolvida porque ela afirmou que apenas o tinha defeito porque ela era vitima de violência domestica.

Outro suspeito foi um homem chamado Kenneth Barnes, um reparador de televisões que acabou por se tornar num vendedor de droga. 

Em 2007, uma prostituta de 27 anos chamada Jessica Hoopsick disse conhecer Wells muito bem e que ela já se tinha envolvido com ele na casa de Barnes. Barnes, por outro lado, não só estava conectado com Wells como estava conectado com Marjorie, com quem ele costumava ir pescar.

Barnes tinha falado sobre o colar com a bomba ao seu cunhado, que foi contar à policia, mas Barnes já estava preso por causa dos negócios com a droga. O FBI foi questionar Barnes que confirmou que Marjorie foi quem planeou toda a situação do colar com a bomba. Ele disse que ela precisava do dinheiro porque lhe queria pagar para ele matar o pai, que estava a gastar o dinheiro da sua fortuna todo e ela queria ganhar algum antes que fosse tarde demais. 

O FBI foi entrevistar Marjorie, que já estava presa pelo assassinato do namorado, e ela disse que não tinha nada a ver com o plano, mas que tinha dado os temporizadores de cozinha que tinham sido usados na bomba. Ela aceitou ir mostrar aos agentes onde ela tinha estado no dia da morte de Wells e, ao entrevistarem um rapaz que estava a trabalhar  numa bomba de gasolina na qual ela tinha parado no dia, ele afirmou ter visto aquela mulher com dois outro homens no carro, que se veio a descobrir que eram William e Barnes. Ela disse que quem planeou tudo foi William e que Wells tinha sido parte ativa do golpe. 

Isso lembrou ao FBI o testemunhos de que Wells estava extremamente calmo durante o assalto e, para suplementar isso, não havia nenhuma evidencia que corroborasse o envolvimentos de nenhum grupo de homens negros no caso.

Em 2007 apareceu a teoria de que, sim, Wells estava ciente do roubo e que o colar lhe tinha sido colocado para servir de álibi e para ter certeza que Wells se ia manter no plano de dar o dinheiro a Marjorie e o resto do pessoal e não fugir com ele. Mas, quando ele foi apanhado, os outros entraram em pânico e, para não haver uma testemunha contra eles, ativaram a bomba. 

Mais tarde Barnes disse que Wells pensava que o colar era falso, por isso é que tinha aceitado usa-lo.

Marjorie foi condenada a prisão perpetua mais 30 anos e morreu a 4 de abril de 2017. 

Barnes foi condenado a uma sentença de 20 anos por colaborar e admitir ter participado do plano e está previsto sair em 2027.

William morreu de cancro no verão de 2004 antes de ir a julgamento. 

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