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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

14
Fev19

My only valentine


Angeline

Bem...dia dos namorados, hum? 

Não o vou comemorar; vou passa-lo a trabalhar e a estudar, mas posso sempre recordar.

Em toda a minha vida, só tive um verdadeiro valentine (a rapariga dos olhos verdes, para quem leu o post ontem) e a nossa relação foi feita de pequenos e enormes momentos românticos.

Antes de começar-mos a namorar, andávamos no teatro juntas. Lembro-me de um dia o nosso professor lhe ter dito algumas coisas menos boas e ela ficou em baixo. Eu apercebi-me disso, mas decidi deixa-la respirar.

Como sempre, no intervalo dos ensaios, a malta foi toda para o café comprar algo para comer. Eu agarrei no braço dela e trouxe-a comigo, mas ela escapuliu-se enquanto eu estava a pedir a minha garrafa de água. 

Quando saí do café, ela estava sentada no banco quase ali à porta. Sentei-me do lado dela e peguei na mão dela, em silencio. Deixámos todos voltarem para dentro e ficámos ali, caladas, até o tempo do intervalo acabar. Lembro-me de lhe pedir para irmos para dentro, porque estava frio, ao que ela respondeu:

"Vai tu, o professor precisa mais de ti do que eu." 

Limitei-me a olhar para ela e comecei a ir-me embora. Ouvi-a chamar-me, mas não olhei para trás. De repente, senti-a agarrar a minha mão e puxar-me. Ela abraçou-me e ficámos ali, em silencio. Até eu pegar na mão dela e voltar-mos para dentro.

Começámos a namorar poucos meses depois, enquanto ela estava a fazer intercâmbio em Lisboa.

Nenhum dos nossos amigos sabiam que namorávamos, mas ajudaram-na a pregar-me um susto.

Estava no ensaio, numa terça feira, quando ela me ligou. Fui para o camarim e ela disse-me que tinha caído no hotel onde estava a estagiar. Tentei não mostrar-lhe o quão em pânico eu estava e continuei a conversar, enquanto ela tentava despachar-me.

Desliguei a chamada e voltei de novo para o palco, cabis-baixa. O meu melhor amigo estava a rir-se (idiota), quando ela entrou pela porta principal do teatro.

"Vou matar-te!" foram as primeiras palavras que disse à minha namorada quando a vi pela primeira vez depois de começar-mos a namorar e corri atrás dela pelos bancos do publico até ela me deixar apanha-la. Ainda lhe dei alguns socos no peito, com lágrimas nos olhos, mas acabei por abraça-la e assim fiquei, que nem lapa, agarrada a ela até à altura de irmos embora.

Ela voltou para Lisboa dois dias depois. Só nos voltámos a ver no dia 8 de Fevereiro, o dia em que ela voltou para casa.

Ambos os meus melhores amigos já sabiam e nós tínhamos planeado ir a um encontro. Vesti o meu vestido preto e os meus saltos por baixo da roupa normal e fui para casa da minha melhor amiga, dizendo ao meu pai que "Ah, vou sair com o pessoal". 

Mudei de roupa lá, a Arya guardou as minhas roupas e, quanto mais a hora se aproximava, mais o meu estômago se embrulhava.

Alguns minutos antes da hora marcada, desci as escadas do prédio da minha melhor amiga, toda aperaltada, e encostei-me à parede do lado da porta, à espera.

Para se chegar aos prédios da minha melhor amiga, tem que se descer umas escadas que ficavam ao fundo da rua e foi nessas escadas, com o barulho das botas dela a desce-las, que eu senti o meu coração a parar. Não me mexi até ela se aproximar.

"Se não vai olhar para mim, mais vale ir-me embora."

"Cala-te."

O melhor começo de encontro que eu já tive; sem ironia.

Puxei-a para um abraço e lá ficámos, uns bons 5 minutos, feitas idiotas em silencio enquanto nos apertava-mos uma contra as outras, como se tivéssemos medo que a outra fosse embora, até a Arya descer e o Gu aparecer.

Foram muitos os pequenos momentos preciosos que tivemos:

Ela a dar-me o casaco para eu não ficar com frio (ou para os rapazes não olharem para mim naquele vestido).

Dançar-mos na sala de estar dela enquanto limpava-mos a casa.

Ficar-mos sem fazer nada no sofá.

Dormir assim.

E acordar assim.

Lembro-me de, à precisamente 3 anos atrás, eu ter chegado a casa dela e ela me ter oferecido um bolo red velvet em forma de coração, que nós comemos enquanto víamos um filme no sofá.

Lembro-me das férias que passamos na casa dos avós dela; de irmos para um sitio alto com vista para a toda a aldeia onde nós sentamos de mãos dadas, com a minha cabeça deitada no ombro dela, de me levantar da cama e ela automaticamente apalpar o meu lugar à minha procura e abraçar a minha almofada, de irmos para a beira do rio onde ela me ensinou a fazer com que os seixos saltassem na água (I still don't know how to do it).

Lembro-me de tanta coisa, mas lembro-me, principalmente, que ela foi o melhor valentine que eu alguma vez podia ter tido.

Pode ter acabado, mas fico feliz que tenha acontecido.

Foi um ano, mas foi a melhor eternidade que alguma vez vivi.

 

 

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