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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

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Aquilo em que me tornei

20
Mai20

Mulheres da Historia: Kathrine Switzer #3


Hikarry

Nascida em Amberg, na Alemanha, a 5 de janeiro de 1947, Kathrine Virginia Switzer é uma ex-maratonista que fez historia ao ser a primeira mulher a participar na Maratona de Boston com um numero no dia 17 de abril de 1967. Nessa altura, ela era estudante de jornalismo e integrava a equipa de cross country (que até então só era composta por homens) na Universidade de Syracuse.

A ideia de participar na maratona surgiu-lhe enquanto ela conversava com o treinador da equipa sobre as vezes em que ele participou na mesma. Quando Kathrine contou a ideia ao treinador a primeira coisa que ele disse foi:

“As mulheres são demasiado frágeis para uma maratona.”

Ela insistiu tanto que Arnie Briggs, o treinador, propôs um acordo: se ela conseguisse correr a distancia da maratona durante um treino, ele própria levava-a a Boston. E assim foi feito. Ela conseguiu esse objetivo e ainda correu mais 10 quilómetros só para “ter a certeza que conseguia”.

Oficialmente, as mulheres não eram proibidas de participar na Maratona de Boston, porém, nenhuma o fazia pela crença enraizada de que as mulheres eram fracas demais para uma atividade tão intensa. Algumas pessoas chegavam ao cumulo de acreditar que tal esforço faria com as mulheres ficassem com as pernas desfiguradas, por exemplo.

Com o numero 261 no peito, Kathrine foi muito bem-recebida pelo resto dos participantes que lhe perguntavam se podiam tirar fotografias com ela e lhe pediam conselhos de como convencer as suas mulheres/namoradas a correr também.

No quilometro 3 da maratona Jock Semple, um dos coordenadores do evento, apercebeu-se da sua presença na pista e correu atrás dela, empurrando-a e mandando-a embora. O namorado de Kathrine, que também estava a participar da maratona, correu até ela e empurrou Jock, para que Kathrine continuasse e, depois de 4h20min do começo da maratona, ela alcançou a meta.

Em 1972, ela ajudou a oficializar a categoria feminina na Maratona de Boston e, depois disso, o numero de pedidos ao Comité Olímpico para a permissão de mulheres na maratona olímpica disparou. No ano de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, esses pedidos foram ouvidos e essa “novidade” continua a ser uma realidade até aos dias de hoje.

Em 1974, Kathrine venceu a Maratona de Nova York com um tempo de 3h07min19s e, no ano seguinte, ficou em segundo lugar em Boston com um tempo de 2h51min37s.

Kathrine é, atualmente, comentadora televisiva e continua a lutar pela igualdade de género, dando palestras em todo o mundo onde fala da sua experiência.

Até hoje Kathrine Switzer correu em 35 maratonas, criou programas de desporto para mulheres em 27 países, escreveu um livro e integra, desde 2011, o Passeio da Fama das Mulheres nos Estados Unidos.

19
Mai20

O que será o "consentimento"?


Hikarry

Não sou uma expert da mente humana (extremamente longe disso), mas gosto de fazer notas mentais de coisas que ouço e, muitas vezes, coisas que vivo e que parecem “normal” para certas pessoas. Sou eu que sou anormal ou é o mundo que está estranho? Uma das coisas que eu mais noto é a teimosia em aceitar um não e conseguir perceber que um sim é um sim e um não é um não e não um “desafio-te a mudares-me as ideias”.

Vamos a uns exemplos, shall we?

Na fila para as inscrições da faculdade comecei a falar com o rapaz que estava à minha frente (vamos chama-lo…BundaAddict) que, por coincidência, era do mesmo curso que eu. Ele era um bocado estranho, mas foi a primeira pessoa que conheci ali e eu (parva) tentei ignorar os meus instintos e comecei a a criar uma espécie de amizade com ele.

Saímos varias vezes e ele costumava fazer vários comentários que me deixavam desconfortável e, possivelmente, o que ouvi mais foi: “Tens um rabo fantástico. Só me apetece agarra-lo e fazê-lo meu!(percebem o nome agora?). Eu ria (porque era parva e ingénua e pensava que era uma brincadeira), mas pedia-lhe para parar. E vocês dizem “Ah e tal, mas é um elogio. Tu também és cá uma esquisita!” Eu e o Bunda Addict só nos conhecíamos à 1 semana! E, mesmo que nos conhecêssemos à 3 anos: se uma pessoa te diz para parar e te diz que está desconfortável, tu paras. Pronto. Finito.

Eventualmente, ele pediu desculpa e disse que ia parar e, realmente, parou. Durante uma semana.

Ele veio à minha casa. Estávamos no meu quarto a ver um filme para um trabalho no pc dele. Eu estava sentada na cadeira da secretaria e ele estava sentado na beira da cama, um pouco atrás de mim. O filme acabou e eu levantei-me para ir buscar uns apontamentos quando, de repente, ele agarrou-me pela cintura e atirou-me para a cama, vindo para cima de mim.

As minhas mãos começaram a tremer enquanto eu o tentava empurrar e dizia “não” e “para”.

O telemóvel dele tocou. O pai dele estava lá em baixo para leva-lo à faculdade e tratar não sei de quê.

Ele saiu de cima de mim, disse “volto depois” e foi embora.

Não sei quanto tempo se passou, mas, na minha cabeça, desde ele sair de cima de mim até eu ouvir a porta da casa a bater pareciam ter passado 2 segundos.

Comecei a ter um ataque de pânico. O meu primeiro instinto foi mandar mensagem ao meu ex (atualmente um dos meus melhores amigos) porque eu precisava de falar com alguém, de sentir que estava com alguém mesmo que não estivesse e ele sempre me fez sentir segura. Ele não respondeu logo, porque estava em aula, mas eu precisava urgentemente de um “logo” então mandei mensagem a mais uma mão cheia de pessoas até a minha colega de casa me responder. Ela, que já estava a voltar, apareceu dentro de minutos e, pouco tempo depois, a campainha tocou. Era o Bunda Addict. Ele ligou-me, mandou mensagem e gritou o meu nome lá de fora. Comecei a tremer enquanto ouvia a minha colega de casa abrir a porta, descer até à entrada do prédio e manda-lo embora.

Nós tínhamos 2 cadeiras juntos. Escusado será dizer que fiquei com medo de ir a ambas, mas, depois de 2 dias a faltar, decidi engolir o medo e fazer frente. Sentei-me com uma amiga e ele sentou-me mesmo atrás de mim. A meio da aula, a minha amiga teve que ir embora e, mal ela se levantou, ele sentou-se ao meu lado. Continuei a olhar para a frente e a tentar manter-me calma quando senti a mão dele na minha coxa. Sacudi a mão dele, mas ele voltou a tocar-me na coxa, ainda mais em cima, e apertou-a. Assustada, levantei-me e escondi-me na casa de banho. Dois dias depois consegui mudar de turma nessa cadeira.

Passou uns 2 dias a mandar-me mensagens um pouco…inapropriadas até eu o bloquear.

No dia seguinte, estava eu a sair da faculdade quando ouvi alguém a chamar o meu nome. Olhei para trás e era ele. Comecei a andar mais depressa e, já a meio do caminho de casa, ele ainda estava atrás de mim. Mudei de passeio duas vezes e ele imitava-me. Comecei a suar e os meus olhos a lacrimejar até eu sentir um braço à volta dos meus ombros. Quase que tive um colapso cardíaco antes de perceber que era o meu tio de praxe que acabou por me acompanhar até casa.

O rapaz nunca mais se meteu comigo, por divina graça do espírito santo. Mas ainda me dá uns suores frios quando o vejo nos corredores da faculdades.

Durante quase um mês vivi em medo e quase desisti de algumas cadeiras por causa dele. Isto foi 1 mês. Imaginem aquelas pessoas que vivem isto, ou pior, quase a vida toda. Tudo porque há gente que não compreende o que é um “não” e porque, muitas vezes, ficamos toldados pelo medo.

Ah, mas a culpa é tua! Tu deste-lhe confiança!” Pois dei! E fui muito, muito parva! Mas, independente disso, um não permanece um não. Se um consentimento não é dado, não se deve avançar.

O meu exemplo é longo, mas até em historias mais curtas e genéricas como: “Ela/e estava bêbeda/o.”,  "Ela/e disse que sim no inicio! Lá no meio é que disse que não!” “Ela/e disse que sim ontem, hoje é que está a dizer que não!”. Em algum desses casos há consentimento? Não. Em nenhum dos casos.

Acredito que numa relação minimamente saudável (seja amizade ou o que for) se um dos lados pedir para parar, por qualquer que seja o motivo, o outro, por lógica, não deveria forçar. É um direito mudar de ideias, seja no dia seguinte, na hora seguinte ou no segundo seguinte.

Metes-te te a jeito!

Estavas a pedi-las!

Foste ingénua!

Não consigo entender porquê, mas a culpa parece cair sempre sobre o abusado e não sobre o abusador.

 

18
Mai20

Mulheres da História: Malala Yousafzai #2


Hikarry

Esta cachopa já está nos livros de história? Na minha época não estava, mas, hoje em dia se não está, deveria estar.

Malala Yousafzai nasceu a 12 de julho de 1997. É uma ativista paquistanesa e foi a pessoa mais nova a receber um prémio Nobel de sempre. É conhecida pela defesa dos direitos das crianças, principalmente, ao acesso à educação no vale do Swat, a sua terra natal, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs impedem as jovens de frequentar a escola.

No inicio de 2009, por volta dos 12 anos de idade, Malala começou a escrever um blog (“Diário de Uma Estudante Paquistanesa”), sob o pseudónimo “Gul Makai”, quando um jornalista da BBC perguntou ao seu pai, que era dono da escola onde ela estudava, se alguns alunos estariam dispostos a falar sobre o seu quotidiano sob o regime dos talibãs. No blog ela falava sobre isso e sobre o seu ponto de vista em relação à educação dos jovens no vale do Swat. Em poucos meses a identidade de Malala foi revelada. No verão desse ano, o New York Times publicou um documentário sobre o quotidiano de Malala à medida que o exercito paquistanês intervinha na região.

A 9 de outubro de 2012, ao sair da escola, Malala foi atacada por um homem armado que a baleou no crânio, deixando-a inconsciente e em estado grave. No dia seguinte ao ataque, o ministro do Interior do Paquistão afirmou que o atirador tinha sido identificado. Malala foi operada e, a 15 de outubro, quando o seu estado clínico melhorou, ela foi transferida para o hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, na Inglaterra. Malala só veio a deixar o hospital no dia 4 de janeiro de 2013. A tentativa de assassinato desencadeou um movimento de apoio internacional.

A popularidade da Malala aumentou consideravelmente quando ela começou a dar entrevistas na imprensa e na televisão, acabando por ser nomeada para o Prémio Internacional da Criança em 2014, mas, no ano anterior, ela já tinha sido capa da revista Times, recebido o prémio Sakharov (atribuído pelo Parlamento Europeu), discursado na cede da ONU, em Nova York, e inaugurado, em Birmingham, a maior biblioteca publica da Europa. A 10 de outubro de 2014, ela recebeu o Nobel da Paz (cujo foi partilhado com o ativista indiano Kailash Satyarthi) e assim, com apenas 17 anos, Malala tornou-se a pessoa mais jovem a receber esse prémio.

No dia 29 de março de 2018, Malala voltou ao Paquistão, depois de seis anos, onde se encontrou com o primeiro-ministro paquistanês.

Atualmente, ela vive com a sua família na Inglaterra, mas ainda tem o desejo de voltar ao seu país definitivamente e entrar para a política.

17
Mai20

Mulheres da História: Marie Curie #1


Hikarry

Sinto muita falta de escrever coisas neste género como fiz na rubrica “Casos Misteriosos” aqui no estaminé (rubrica que vai voltar em breve, pinky swear), então decidi trazer esta nova rubrica onde falarei sobre as mulheres que tiveram papeis importantes na historia e foram esquecidas pelos livros da escola injustamente.

Ironicamente, e contrariando o que disse antes, vou falar de uma das mulheres mais conhecidas da historia: Marie Curie. (Acham mesmo que eu ia fazer uma rubrica como esta e deixar esta fantástica mulher de fora? Jamais.)

Marie Skłodowska Curie nasceu em Varsóvia, no Reino da Polónia (que então fazia parte do Império Russo), a 7 de novembro de 1867.

Foi uma cientista e física polonesa que conduziu pesquisas pioneiras em todo o mundo no ramo da radioatividade e foi a primeira mulher a receber um Prémio Nobel (mais propriamente o Prémio Nobel da Física, que foi partilhado com o seu marido, Pierre Curie, e o físico Henri Becquerel, em 1903), a primeira pessoa (e única mulher) a ganhar o prémio duas vezes (sendo o segundo o Prémio Nobel da Química, em 1911), a primeira mulher a ser admitida como professora na Universidade de Paris (depois da morte do marido, em 1906, num acidente rodoviário, ocupando assim o seu lugar) e foi participante na Conferência de Solvay da 1ª à 7ª edição. Em 1995, Marie tornou-se a primeira mulher a ser enterrada no Panteão de Paris.

Lecionou na Universidade Volante (uma instituição de ensino clandestina que desafiava as autoridades russas e admitia mulheres), na sua terra natal, onde começou o seu treino cientifico e, aos 24 anos, mudou-se para Paris onde terminou os seus estudos em física, matemática e química, estudando de dia e ensinando à noite, como tutora, para se conseguir manter na capital francesa. Em 1893, concluiu o seu mestrado em física e começou a trabalhar num laboratório industrial, enquanto continuava a estudar e, com a ajuda de uma bolsa, conseguiu um segundo mestrado (desta vez em matemática) em 1894. Doutorou-se em ciência em 1903.

A obra de Marie inclui a teoria da radioatividade (termo inventado pela mesma e pelo marido), varias técnicas para isolar isótopos radioativos, a descoberta de dois elementos (o polónio e o radio) e a direção nos primeiros estudos sobre o tratamento de neoplasmas com o uso de isótopos radioativos. A cientista também fundou os Instituídos Curie em Paris e na Varsóvia (que, até os dias de hoje, são grandes centros de pesquisa médica) e os primeiros centros militares no campo da radioatividade durante a Primeira Guerra Mundial com o propósito de curar soldados feridos.

Marie Curie morreu aos 66 anos, em 1934, num sanatório em Sancellemoz, na França, devido a uma leucemia causada pela exposição maciça à radiações durante o seu trabalho.

O seu livro "Radioactivité" é considerado um dos documentos fundadores dos estudos relacionados à Radioatividade clássica.

15
Mai20

Tabus


Hikarry

Tabus.

Lá vou eu meter-me em assuntos idioticamente polémicos? You bet.

Embora sejamos todos avançados, cheios de tecnologia, a espécie racional e tudo mais, continuamos a cismar em coisitas que não fazem sentido nenhum e, delas, se criam discussões que podem acabar com amizades de anos ou, até mesmo, famílias.

Mudar mentalidades é um processo extremamente lento e difícil. A quantidade de mentes presas no século passado é assustadora, mas a quantidade de mentes que se recusa a avançar no tempo é a que realmente deveria preocupar.

Pensemos no aborto.

É muito giro ver militantes contra este assunto porque, se repararem, a mentalidade deles é ela, ou seja, ela não pode fazer; ela abriu as pernas, agora que carregue as consequências. Nunca é um eu ou a minha filha.

Há muitas razões para se cogitar um aborto:  ou porque foram violadas, porque não têm dinheiro para criar uma criança, porque têm problemas de saúde que possam colocar a vida da gestante e do futuro bebé em perigo e por aí vai. Muita gente pensa que isto é sem regras (o mesmo processo de pensamento é aplicado na eutanásia). Que toda a gente pode fazer aborto a qualquer altura porque sim. Mas não. Em Portugal, por exemplo, só é legal fazer até às 10 semanas.

Saindo assim das coisas mais convencionais: dar flores a alguém na Rússia é um tabu, porque, para eles, as flores são apenas para os mortos. Parece-nos parvo e descabido, mas, para eles, é uma coisa muito séria.

Tal como o sexo antes do casamento, que ainda é um tabu em geral sendo que praticamente ninguém siga esse ideal atualmente. (Outra coisa interessante é quando ouvimos a expressão “sexo antes do casamento”e a primeira imagem que nos vem à cabeça é da mulher, não do homem, na maioria das vezes).

Outro tabu que ainda é geral na sociedade é a homossexualidade que ainda é tratada como um ato nojento e pecaminoso, sendo que ninguém tem nada a ver com quem o outro se relaciona. Não gostas de homens? Não te envolvas com um. Não gostas de mulheres? Faz o mesmo. É uma mentalidade que tanto os homofóbicos deveriam adotar como as pessoas que estão confusas com a sua sexualidade e estão a tentar descobrir-se.

A mentalidade dos homofóbicos é outra coisa que me mete confusão:

  • Não podes andar de mãos dadas com uma pessoa do mesmo sexo na rua porque me incomoda;
  • Não podes namorar uma pessoa do mesmo sexo porque eu não gosto;
  • Se queres estar com uma pessoa do mesmo sexo, faz isso entre quatro paredes.

Seria a mesma coisa que eu dizer:

  • Não ponhas ketchup no arroz porque isso me incomoda;
  • Não comas azeitonas porque eu não gosto;
  • Aí tens um Chihuahua? Eu não gosto dessa coisa e não sou obrigada a vê-la, por isso, se a quiseres ter, não a tragas cá para fora. Fica com isso entre quatro paredes.

Ah, para não falar no termo “homofóbico”. Adoraria que isso fosse mesmo levado à letra e, em vez de eles não gostarem e terem ódio, tivessem mesmo medo de mim. Seria interessante chegar atrás da malta, fazer um “boo” e a cara delas se desfigurar como se eu fosse o próprio Satanás reencarnado.

Por incrível que pareça, o casamento inter-religião e até mesmo inter-raça também ainda é um enorme tabu na sociedade atual e o mesmo principio da homossexualidade deveria ser aplicado aqui: Não gostas, não comas. Deixa as pessoas amarem quem elas querem e bem lhes apetece.

Então a masturbação em certos países também é uma coisa de outro mundo. Se alguém das Arábias ouvisse os jovens de hoje a falar, ficava chocado com tantas piadas que o povo português (e outros) tem em relação a essa ação. Para não falar da masturbação feminina, que muitos pensam que não existe (até porque as mulheres, para serem sexualmente ativas, precisam da presença de um homem por perto, não é?).

Sabem o que também é um tabu? Foda-se. Uma palavra (que eu escolhi por ser um dos palavrões mais usados) que toda a gente usa com tanta normalidade, mas certas pessoas (principalmente as mais velhas) acham que é quase um ultraje. (Usando o exemplo da minha mãe que sempre que eu digo uma “asneira” parece que o mundo está a acabar ou o meu avô que diz “Meninas bonitas não usam essa linguagem”, dizendo de seguida mais não sei quantas caralhadas enquanto vê uma cena num filme que não está a gostar).

Muitos dos tabus que eu falei aqui são mais aceitáveis num género do que no outro (homossexualidade entre mulheres é levemente mais aceitável – por ser apetecível aos homens…ora ai está a sexualidade da mulher, supostamente, só a existir quando um homem está envolvido -, ser sexualmente ativo antes do casamento é normal quando se pensa nos homens, e o mesmo se sucede no quesito masturbação, por exemplo), e, eu acho, que tudo não passa de uma construção social que já está muito passada.

A lista continua: Pornografia, menstruação, etc.

A maioria destes tabus não passam de escolhas pessoais:

Quero fazer um aborto?

Quero fazer sexo?

Quer estar numa relação com uma pessoa do mesmo sexo?

Quero casar com uma pessoa de uma religião ou raça diferente?

Por aí em diante, vocês perceberam a ideia.

Não são nada para além de escolhas…mas o mundo é muito difícil e complexo.

 

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