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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

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Aquilo em que me tornei

21
Abr17

Diarios


Hikarry

Sim, pessoal, depois de uma breve - muito breve - pausa, estou de volta, não totalmente bem, mas de volta.

E hoje queria falar sobre essa coisa que muitas pessoas conhecem e até já tiveram: diários. 

 

Conheço muita gente que os teve e ainda tem até hoje, mas eu, com este feitiozinho que nem eu aguento às vezes, de quem se cansa de quase tudo muito rápido, nunca consegui manter um diário por mais de 3 meses.

E houve uma fase na minha vida - para ai com 10 ou 12 anos - que, num mesmo dia, recebi 2 diários por preencher e, como é óbvio, comecei a escrever nos dois ao mesmo tempo, pois estava ansiosa para os estrear e, adivinhem: cada um tem meia dúzia de paginas escritas.

Acho que o diário que ainda tive por mais tempo, a minha avó ainda o guarda, mas são poucos ou nenhumos os episódios que lá conto.

Lembro-me que, o meu 4º diário - sendo que nunca cheguei a preencher os outros 3 - foi o meu penúltimo, pois, naquela altura eu morava mais com os meus avós do que com os meus pais e eu e a minha mãe sempre tivemos uma relação "explosiva". Lembro-me que numa pagina escrevi que a minha mãe era uma bruxa má e a minha avó era a minha verdadeira mãe e, como cusca e desrespeitosa pela privacidade dos outros que a minha mãe ainda é, ela leu, rasgou a pagina, guardou-a e ameaçou-me durante anos com essa pagina, dizendo que a mostraria ao meu pai se eu não lhe obedece-se e, bem, eu era uma miúda, tinha medo e respeito pelo meu pai.

Tudo lá foi indo até alguém ter a brilhante ideia de ir fazer uma saída em família para um praia fluvial aqui perto. Eu queria entrar na água, mas, como desde pequena que tenho o cabelo muito comprido, sempre que eu nadava, o cabelo emaranhava-se nos meus braços e eu não consegui-a fazer nada. Na inocência, sai da água, cheguei-me ao pé da minha avó e pedi-lhe para me ajudar a apertar o cabelo num rabo-de-cavalo.

Foi o suficiente para senhora minha mãe explodir, esperou até chegar-mos a casa e depois só me lembro de mim, dela e do meu pai na cozinha, o meu pai com a folha na mão, a discutir com a minha mãe a dizer que ela não tinha nada que fazer o que fez. Que eu tinha direito à minha privacidade e essa foi uma das ultimas vezes que o meu pai me defendeu realmente contra a minha mãe.

Enfim, desde que ela me ameaçara com a pagina do diário, eu parei de escrever o que quer que fosse e deixei a ideia de diários para o lado - não que eu tivesse alguma em concreto - até 2015.

2015, o ano em que me apaixonei pela mulher mais bonita que alguma vez pisou esta Terra e eu, confusa, pensando que era errado amar uma mulher, assustada com o tamanho daquilo que sentia, peguei num dos meus diários não acabados e voltei a escrever, todos os meus medos, todos os meus sentimentos por aquela mulher que amo até hoje e pela qual lutarei até ao meu fim para merecer novamente, e, depois, quando ficámos juntas, contei muitos dos nossos episódios juntas, o quanto eu gostava de me perder naqueles olhos verdes e brincar com os cabelos loiros enquanto ela deitava a cabeça no meu colo. Cada momentinho magico e que eu queria guardar como uma enorme historia que um dia ia mostrar a alguém e dizer "Vêm? E é com esta mulher que estou até hoje. E eu amo-a tanto ou mais desde estes dias".

Infelizmente, numa explosão de tristeza, depois de ela me deixar, queimei-o. Fiquei sentada à frente da lareira da minha avó, a chorar aos prantos - para variar um pouco - enquanto via cada pagina queimar.

Eu tinha-lhe dito que tinha escrito uma historia sobre nós e, quando eu fosse para Lisboa, quando nos reencontrasse-mos, eu iria dar-lhe o diário e mostrar-lhe tudo. Mas esse meu plano acabou por ai.

Arrependo-me de o ter feito e, ao mesmo tempo, não me arrependo.

Tenho um novo diário.

Este cantinho onde estão agora.

Onde conto as minhas opiniões, as minhas dores, as minhas magoas, a minha luta constante e tentativas de não perder a esperança em lutar por está mulher que, por mais coisas que aconteçam e por mais longe que a sinta, por mais medo que me atormente a cada dia, eu a amo cada vez mais e mais. Eu não sei o que raios ela fez comigo, mas é magico e eu vou fazer de tudo ao meu alcance para me concertar. Para concertar esta bonequinha estragada e poder, por favor, voltar merece-la. 

É tudo o que peço todos os dias e tudo em que penso quase todos os segundos.

Este é o meu diário. Um diário aberto. O meu 6º diário, que já está a durar mais que 3 meses.

Abram o champanhe, este é um novo recorde na minha vida!

Obrigada por estarem desse lado, a ler, possivelmente a tentar entender o que, muitas vezes, eu não consigo expressar por palavras, a ouvir as frases "vou lutar" e "nunca vou desistir" vezes e vezes e vezes sem conta.

Obrigada.

Este cantinho sou eu. A minha cara. Cada sentimento, cada pedacinho. Quem ler isto, do principio ao fim, com certeza conseguirá perceber quem sou, de onde venho, quais são as minhas prioridades. Mas uma coisa, muito possivelmente não vão conseguir perceber: o amor que sinto por esta mulher.

Até hoje só uma pessoa o consegui perceber minimamente e essa pessoa é o meu Jiminy Cricket, a minha psicóloga; cujo trabalho é esse mesmo, tentar entender o que me vem cá dentro e ajudar-me. Se não, pelo contrario, seria só eu, sozinha, a entender a imensidão disto com um monte de gente à minha volta que não consegue ver.

 

 

 

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    Muita boa sorte! Aproveita os melhores anos da tua...

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