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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

01
Mar17

Mata-me lentamente


Hikarry

Hoje é daqueles dias em que a morte da alma e a dor miserável se fez sentir com mais força: talvez por causa da solidão, talvez por causa da febre, talvez pelo abandono ou talvez só porque sim.

É daqueles dias em que sabemos que pegámos na pá e fomos escavar mais um pouco no fundo do poço, para ir mais para baixo. Um daqueles dias que não sabes se queres chorar sozinho, ou chorar nos braços de alguém. 

Sinto-me como num filme, quando a personagem principal está mal e tudo à sua volta perde a cor.

Olho para fora da janela e o céu está cinzento, sem cor, tanto metaforicamente como literalmente. Olho para o teto do meu quarto quando me deito, olho para o abajur amarelo e tudo o que vejo é cinza e branco. 

O meu cenário é cinza e branco.

 

A dor mata-me lentamente. Saber que é o fim mata-me lentamente. Saber que estou só - e a armadura que eu não consigo controlar estar a contribuir para isso - mata-me lentamente. A única pessoa que me podia ajudar estar a virar-me as costas, mata-me lentamente. Viver, mata-me lentamente.

As cores foram-se no 19, o mundo ruiu no 25 e morri no 13, e continuo a morrer aos poucos enquanto vejo na pessoa egoísta que te tornas-te. Não melhor que eu: O cumulo do egoísmo e do egocentrismo e, mais recentemente, da tristeza e da pena.

O cumulo da inutilidade.

 

Porque falo se ninguém me ouve?

Porque tento se não resulta?

Porque corro se não chego a lado nenhum?

Porque escrevo se ninguém lê?

Porque não sigo em frente se não vai dar a lado nenhum? 

Porque te amo mesmo depois do 19, do 25 e do 13? Porquê?

Porquê queixar-me se a armadura me tranca?

Porquê tentar gritar se sabemos que não vai sair nenhum som?

 

É uma vida desperdiçada.

 

Drama? Talvez. Posso orgulhar-me de dizer que sou atriz de alma e coração e o meu mundo é o palco, mas não consigo impedir que esse drama se misture na minha vida.

Desespero? Possivelmente. 

Pânico? Todos os dias.

 

Tão nova e já enterrada num poço tão fundo do qual não há maneira de sair (e mesmo que houve-se, talvez por teimosia ou amor a mais, eu não sairia). 

Depois de tanto tempo, depois daquilo que parece uma eternidade, a mente torna-se vazia, a voz torna-se fria e o corpo torna-se morto. 

Talvez esteja perto a hora desta personagem pegar na sua borracha e apagar-se da peça. Fechar as cortinas e arrumar os adereços num adeus digno de todo o drama onde esta personagem foi criada e morrerá.

Muitos fingiram lágrimas, outros se levantaram e aplaudiram fervorosamente pelo fim deste espetáculo que já corria à tempo de mais, outros ignoraram, levantar-se-ão e sairão, como e nunca tivessem estado lá e poucos sofrem. 

Mas por pouco tempo.

Uma atriz, por mais brilhante que seja, pode ser sempre substituída. 

Por melhor, por mais bonito, por mais formoso, por mais talentoso.

Outras peças esta personagem já percorreu e sempre fora apagada, substituída ou largada, porque não no grande espetáculo também?

Chegou a hora de fechar as cortinas e fazer a ultima vénia.

A qualquer momento.

2 comentários

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Comentários recentes

  • Nuno

    Pois era! :)

  • Hikarry

    Uma boa comédia diária

  • Hikarry

    Ahah é espantoso o que se encontra por ai!Obrigada...

  • Hikarry

    Rir? Certamente. Também acho que é para isso que s...

  • Hikarry

    Olha que isso é que era uma ideia de valor!

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