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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

03
Abr17

Nos bastidores de mais um dia horrivel


Hikarry

Como quem acompanha o blog já sabe, os últimos tempos têm sido horríveis. E ainda não melhorou.

Já voltei a ganhar a minha mascara de volta e agora até me ajeito a fingir que estou bem e super feliz à frente das pessoas que não têm nada que levar com a minha deprimência, optando por chorar e sofrer sozinha...e com a minha psicóloga. Até a minha avó eu já retirei da lista de pessoas à frente das quais me permito chorar; sempre que o quero fazer na casa dela, pego nas minhas trouxinhas e vou para um piso térreo que ninguém usa e que desde criança me aterroriza, mas é um bom refugio.

 

Também cá continuam os ataques de pânico, firmes e cada vez mais fortes. 

Na sexta feira passada aconteceu um como eu já não tinha à umas boas semanas. Finalmente tinha chegado a hora do almoço e eu fui, sozinha, para a biblioteca da escola ler.

Confesso que queria estar sozinha, totalmente sozinha; até porque estava e estou chateada com certas pessoas que me desiludiram bastante, mas, passando à continuação do conto.

Notei as minhas mãos a começarem a tremer enquanto segurava o livro, comecei a hiperventilar e o típico aperto no coração apareceu. Levantei-me, guardei o livro na mala - que "roubei" à minha mãe para usar nestes últimos dias de aulas - e pôs-me a andar o melhor que pude para fora da biblioteca. Fui para outro pavilhão - sendo que a essa altura os meus joelhos estavam a acompanhar as mãos na tremedeira - e fui para a casa de banho, que estava vazia, molhar a cara e beber água para me acalmar um pouco. Acho que a auxiliar tinha estado a prestar atenção em mim porque se aproximou, para perguntar se estava tudo bem e eu virei-me para ela - quase sem ar e com a garganta a miar como um gato desafinado - e tentei dizer um "Sim. Obrigada", mas nada sai-a; eu estava simplesmente a olhar para ela feita parva. Ela perguntou-me de novo, aproximando-se mais, e eu abanei com a cabeça dizendo que sim, falando para mim mesma "Acalma-te, rapariga", mas, do nada, comecei a chorar. Foi incontrolável, eu não sei o que aconteceu.

Ela ficou a olhar para mim durante um bocado, enquanto eu me derretia em lágrimas e algum ranho - não só por causa do choro, mas também porque estou um bocado constipada - até ela me dizer para a seguir enquanto saia da casa de banho. Sem mais conversas, fui atrás dela, não sabia bem para onde, enquanto olhava para o chão e apertava a mala nas minhas mãos, espetando as minhas unhas no couro falsificado. Levou-me para um lugar delas, que fica por baixo das escadas, onde à um sofá e uma mesa e deixou-me lá, no sofá.

E, bem...lá estive eu. Durante um bom tempo, a chorar em silêncio enquanto tremia mais que um cão ao ouvir fogos de artificio, até sentir um estalo dentro da minha cabeça. Um estalo enorme do lado esquerdo e começar a entrar em pânico, porque, até aqui, era só uma forte ansiedade a correr para o pânico. Comecei a hiperventilar mais e o meu corpo começou a sair fora do controlo, como me acontece sempre. Enquanto, dentro da minha cabeça, eu me tento acalmar, o lado de fora começava a mexer-se como se eu estivesse possuída, agarrando-se à mesa e agindo como se eu estivesse a tentar escapar do meu próprio corpo.

Possivelmente eu fiz algum barulho, porque a mesma auxiliar veio ver de mim e aproximou-se de mim com um lenço e só então eu percebi que ainda continuava a chorar e a ranhocar - sim, acabei de inventar este termo; podem usar.

Ela esteve lá sentada a conversar comigo até eu me acalmar, mas a dor de cabeça ficava cada vez mais intensa. Ela perguntou-me se eu não deveria ligar aos meus pais e eu disse que não, mas ela tanto insistiu que acabei por fazer-lo.

Respirei fundo algumas vezes, tentando acalmar a respiração que ainda estava irregular - uma técnica que fui desenvolvendo nos meus tempos de teatro - e liguei ao meu pai. Comecei com um "Olá pai!", mais ou menos animado ouvindo a resposta do outro lado, dirigindo-me logo se seguida para o assunto "Olha...eu estou a sentir-me um bocado mal. Posso ligar aos avós para me virem buscar?" e ele, passado um pouco, lá disse que sim e eu acabei por ir para casa, faltando à aula de biologia.

Eu amanhã explicarei à professora porque faltei e acho que ela vai compreender.

Quando cheguei a casa dos meus avós fui a correr para a casa de banho, tranquei-me lá a acabar de chorar as lágrimas que ainda me restavam, sentada no chão agarrada à mala, até me acalmar completamente - ainda com a dor de cabeça presente - como se tivesse bloqueado toda e qualquer emoção. Literalmente.

Pelo resto do dia eu senti-me como um boneco. Mal falei com os meus avós e quando eles tentavam falar comigo eu respondia-lhes torto sem querer enquanto estava sentada no meu canto a olhar pela janela a pensar que não deveria estar a agir assim, mas eu não conseguia controlar.

Só espero que a professora de biologia perceba...

 

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