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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

14
Mar17

Ponto de rutura


Hikarry

Hoje foi mais um dia de uma vida que está horrível. O meu estado de ansiedade e completo pânico não melhorou nem um bocadinho nos últimos tempo; de facto, só tende a piorar. "O tempo melhora, o tempo melhora": tangas. A cada dia que passa só me enterro mais e mais e me sinto mais afogada neste sufoco.  

Na ida para a escola preciso de ir de olhos fechados a ouvir Queen aos altos berros para não olhar para a paisagem e memórias saltarem por todos os lados ou uma esperança estúpida de a ver ali no cantinho onde costumava esperar-me aparecer. Não consigo estar muito tempo perto de pessoas porque começo a ficar um bocado tonta e stressada; tento fazer-me de feliz, mas quando não aguento mais, viro costas e vou-me embora.

 

Na aula de Química, não conseguia parar a minha perna. Ela batia freneticamente no chão, na tentativa de me ajudar a livrar um pouco do pânico ou da ansiedade, mas não resultava. Na aula de Biologia, continuava a minha perna a fazer o seu trabalho enquanto uma vontade enorme de chorar se baixou sobre mim; tomei um comprimido e passado um pouco a minha perna tinha parado, mas a vontade de chorar continuava enquanto um sono avassalador me possuía. 

No intervalo do almoço, estava com sono, quase adormeci na cantina, mas quando o efeito do remédio passou; novamente a vontade do choro voltou junto com a ansiedade. Obriguei todas as minhas amigas, uma por uma, a ir dar uma volta comigo pela escola para ver se me acalmava, mas nada. Quando fico sentada ou me deito, começo a arranhar as minhas mãos e os meus braços ou até a arranhar a cabeça até ficar com sangue nas unhas. É como se algo estivesse preso dentro de mim e estivesse a tentar sair. É uma aflição total. O pânico de pensar que nunca vou voltar a estar nos braços dela.

 As memorias aparecem na minha cabeça, a vozinha meiga dela, os olhos alegres por me verem quando abria a porta de casa, os seus braços a abraçarem-me com força quando tinha que me ir embora. Doí, mas eu não quero que desapareça; quero que volte. Sou casmurra, teimosa, e por mais que me doa, nunca desistirei daquilo que me faz bem; daquilo que me faz feliz. Não importa o que digam.

Vozes falam na minha cabeça idiotices; eu falo comigo própria, respondendo às minhas próprias perguntas; murmuro palavras sem sentido quando estou perdida nos meus pensamentos. Quem me vir de fora pensa que sou louca.

Mas quem estou eu a enganar? Ninguém me vê de fora. É tudo cá dentro. Ninguém repara em mim. Ninguém vê isto e eu nem quero que vejam.

Estou a escrever e a tremer; a suar, para ser mais exata. 

Não tenho fome, não quero ouvir musica, não consigo dormir, não consigo estudar. Só me apetece sair e encontrar uma solução para isto. Para um final feliz.

Vou tomar outro comprimido; sinto que estou a ficar viciada neles e isso foi coisa que nunca quis.

Não estou a aguentar mais; estou a entrar em parafuso e sem ela não consigo; não importa o que digam.

Já se arrasta à 5 meses.

Não digam nada, não me tentem fazer desistir, não me tentem fazer mudar de ideias; apenas leiam e respirem comigo. Agora eu só preciso que alguém se sente comigo e respire comigo.

Porque eu estou no meu ponto de rutura.

 

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  • Nuno

    Pois era! :)

  • Hikarry

    Uma boa comédia diária

  • Hikarry

    Ahah é espantoso o que se encontra por ai!Obrigada...

  • Hikarry

    Rir? Certamente. Também acho que é para isso que s...

  • Hikarry

    Olha que isso é que era uma ideia de valor!

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