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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

06
Fev17

Post demasiado sentimental e tal: parte II


Angeline

Hoje foi um daqueles dias em que eu preferia estar morta do que a respirar o bom ar que este mundo nos oferece. Foi simplesmente horrível!

Os meus níveis de ansiedade estavam num pico em que eu própria nunca tinha sentido, e isso é sempre mau sinal. Passei a maior parte do dia com falta de ar ou a suspirar - o que me acontece sempre antes de eu ter um ataque de choro compulsivo - e passei 90% do tempo, nas aulas e em casa dos meus avós, a tentar focar-me em respirar, porque eu não consegui-a controlar. Se eu não estivesse a repetir para mim mesma "respira...respira..." o meu corpo raramente fazia isso automaticamente.

 

E hoje foi um daqueles dias em que mais me apetecia desaparecer, sinceramente. Estive o dia inteiro - literalmente - a pensar nela e quando dava por mim estava a dizer o nome dela.

O mais embaraçoso foi quando fui com a minha avó a umas bombas de gasolina, ela saiu do carro - deixando-me lá dentro -, deixou a porta aberta e eu encostei a cabeça à janela. Um rapaz - muito simpático - estava a ajudar a minha avó com a gasolina e quando dei por mim ele estava do outro lado da janela a encarar-me enquanto eu estava a dar socos no porta-luvas à minha frente e a dizer o nome dela e cenas muito aleatória - relacionadas a ela, claro. Enfim.

Hoje faz um ano em que eu e ela dormimos juntas pela primeira vez e foi o nosso primeiro encontro e no final da semana vai fazer um mês em que não falamos - e em que ela entretanto já começou a namorar o rapaz ou rapariga de quem ela gosta e já nem se quer pensa em mim ou se lembra da minha existência - e talvez isso esteja a causar, mesmo que involuntariamente, com que os meus níveis de ansiedade subam exponencialmente.

Muita coisa pode mudar num ano.

E nada mudou num mês. Nem nunca vai mudar. Porque nós nunca mais nos falaremos ou veremos.

Sei que me queixo muito, e não faço nada para seguir em frente ou esquecer, porque, simplesmente: não quero.

Talvez porque eu esteja a sentir alguma coisa - mesmo que dor excessiva - e sentir algo é coisa que raramente acontece, ou porque amo demais aquela mulher, ou até as duas juntas. Mas eu não quero desistir. E "Ah, tu és muito nova", eu sei, mas eu também sei o que quero. E se eu não tenho o que quero e o que me faz bem, prefiro não ter nada.

E o dia continua a correr mal.

Fiz agora uma pausa a meio do texto para ir jantar, e, bem, os meus pais começaram a discutir comigo e a mandar-me indiretas sobre algo que não sei o que é, mas eu não posso responder de volta ou ainda ponho mais fogo na lareira.

O meu pai era o único com quem eu pensava que podia conversar sobre estes problemas que estou a ter, mas, não. Simplesmente tenho demasiado medo que ele comece a atacar-me ou a dizer que sou ridícula - como algumas pessoas já o fizeram.

 

Acho que só gostava que as pessoas me vissem não como aquela "que ainda é muito nova" ou "tem uma vida inteira pela frente" e se preocupassem mais com os meus sentimentos. Porque eu, de verdade, amo aquela mulher, mas ninguém o entende. Dizem que vai passar, mas o que aconteceu foi demasiado forte e eu sei como funciono - embora toda a gente não ligue a essa frase que eu estou sempre a dizer.

Eu amo-a.

 

Hoje chorei na aula de português - estava a sala toda escura porque estávamos a ver um filme - porque não conseguia parar de pensar e de cair em mim que nunca mais vai haver um "nós" e fiquei ali como uma fraca encostada à parede enquanto metade da turma dormia.

Mas eu não quero que isso mude. Porque eu a amo. De verdade.

 

Muito sinceramente, eu estou a ficar farta. Farta disto.

 

Talvez maior parte do texto não fez sentido para muitos, mas fez para mim.

E eu acho que este post é mais direcionado para mim do que para vocês, por isso, desculpem.

O proximo será melhor.

 

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