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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

05
Fev17

Rotina e comprimidos brancos


Hikarry

Acordo sempre cedo. Não importa se é fim de semana ou não. Por mais que queira dormir mais um bocadinho, a minha cabeça não deixa, ou, nos raros dias que deixa, a minha mãe acorda-me aos berros. Fico deitada mais um bocado, a mexer no telemóvel até me fartar e fico ali, a respirar, enquanto olho para o teto e a pensar que está a começar mais um maldito dia.

 

Levanto-me para ir à casa de banho, como, tomo os medicamentos, e volto para a Internet, ver um vídeo sobre culinária ou cena assim enquanto ouço ou os meus pais a discutir ou a minha mãe e o meu irmão a discutir em plano de fundo.

 

 

O meu irmão dá um soco na porta do quarto a chamar-me para ir almoçar e lá vou eu. Levanto-me, desfaço o rabo de cavalo com que durmo e faço-o outra vez, para fingir que me penteei e vou para a mesa.

 

Comemos sempre em silêncio enquanto ouvimos o Rodrigo Guedes de Carvalho ou a Clara de Sousa a narrar as desgraças deste país e do mundo. Vez por outra lá se ouve o meu pai a resmungar com o meu irmão por causa das más notas, ou a minha mãe por causa do capitulo da novela da noite anterior. Mas é sempre a mesma coisa. Enquanto eu estou ali sentada, a olhar para a comida a tentar pensar em coisas divertidas para não ouvir o nome da capital nas noticias, mas acabo sempre por fazer pior e começo a pensar nela e em coisas relacionadas, como sempre.

 

Eu costumava, e ainda tento, ser uma pessoa divertida, fazer os outros rir, ou pelo menos sorrir, com uma das minhas típicas piadas porcas ou infantis - porque é nisso que se baseava o meu sentido de humor.

 

Mas agora não consigo segurar essa "fachada" durante tanto tempo, e acabo sempre por dar por mim calada a olhar para o telemóvel à espera de algo - que nunca vai chegar.

 

Mas a noite é a pior hora.

Era quando costumava conversar mais com ela, porque estávamos as duas disponíveis. E agora estou sozinha. Enquanto ela está com a amiga ou com o seu novo namorado ou namorada.

 

Claro, converso com o Gu, a Arya e o BF - que ultimamente mais me irrita do que me anima - mas não consigo parar de me sentir sozinha.

 

Muitas vezes ao dia a ansiedade chega e bate à porta e é só nesses momentos que tenho saudades dos pequenos comprimidos brancos que a minha avó me oferece quando começo num choro compulsivo do nada ou estou a entrar em parafuso e eu recuso. 

 

E este ritual tornou-se parte da minha rotina à uns meses.

E quando acaba um dia, tudo acontece de novo no próximo.

Mesmo que eu seja muito boa atriz.

 

 

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Comentários recentes

  • Nuno

    Pois era! :)

  • Hikarry

    Uma boa comédia diária

  • Hikarry

    Ahah é espantoso o que se encontra por ai!Obrigada...

  • Hikarry

    Rir? Certamente. Também acho que é para isso que s...

  • Hikarry

    Olha que isso é que era uma ideia de valor!

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