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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

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15
Mai20

Tabus


Hikarry

Tabus.

Lá vou eu meter-me em assuntos idioticamente polémicos? You bet.

Embora sejamos todos avançados, cheios de tecnologia, a espécie racional e tudo mais, continuamos a cismar em coisitas que não fazem sentido nenhum e, delas, se criam discussões que podem acabar com amizades de anos ou, até mesmo, famílias.

Mudar mentalidades é um processo extremamente lento e difícil. A quantidade de mentes presas no século passado é assustadora, mas a quantidade de mentes que se recusa a avançar no tempo é a que realmente deveria preocupar.

Pensemos no aborto.

É muito giro ver militantes contra este assunto porque, se repararem, a mentalidade deles é ela, ou seja, ela não pode fazer; ela abriu as pernas, agora que carregue as consequências. Nunca é um eu ou a minha filha.

Há muitas razões para se cogitar um aborto:  ou porque foram violadas, porque não têm dinheiro para criar uma criança, porque têm problemas de saúde que possam colocar a vida da gestante e do futuro bebé em perigo e por aí vai. Muita gente pensa que isto é sem regras (o mesmo processo de pensamento é aplicado na eutanásia). Que toda a gente pode fazer aborto a qualquer altura porque sim. Mas não. Em Portugal, por exemplo, só é legal fazer até às 10 semanas.

Saindo assim das coisas mais convencionais: dar flores a alguém na Rússia é um tabu, porque, para eles, as flores são apenas para os mortos. Parece-nos parvo e descabido, mas, para eles, é uma coisa muito séria.

Tal como o sexo antes do casamento, que ainda é um tabu em geral sendo que praticamente ninguém siga esse ideal atualmente. (Outra coisa interessante é quando ouvimos a expressão “sexo antes do casamento”e a primeira imagem que nos vem à cabeça é da mulher, não do homem, na maioria das vezes).

Outro tabu que ainda é geral na sociedade é a homossexualidade que ainda é tratada como um ato nojento e pecaminoso, sendo que ninguém tem nada a ver com quem o outro se relaciona. Não gostas de homens? Não te envolvas com um. Não gostas de mulheres? Faz o mesmo. É uma mentalidade que tanto os homofóbicos deveriam adotar como as pessoas que estão confusas com a sua sexualidade e estão a tentar descobrir-se.

A mentalidade dos homofóbicos é outra coisa que me mete confusão:

  • Não podes andar de mãos dadas com uma pessoa do mesmo sexo na rua porque me incomoda;
  • Não podes namorar uma pessoa do mesmo sexo porque eu não gosto;
  • Se queres estar com uma pessoa do mesmo sexo, faz isso entre quatro paredes.

Seria a mesma coisa que eu dizer:

  • Não ponhas ketchup no arroz porque isso me incomoda;
  • Não comas azeitonas porque eu não gosto;
  • Aí tens um Chihuahua? Eu não gosto dessa coisa e não sou obrigada a vê-la, por isso, se a quiseres ter, não a tragas cá para fora. Fica com isso entre quatro paredes.

Ah, para não falar no termo “homofóbico”. Adoraria que isso fosse mesmo levado à letra e, em vez de eles não gostarem e terem ódio, tivessem mesmo medo de mim. Seria interessante chegar atrás da malta, fazer um “boo” e a cara delas se desfigurar como se eu fosse o próprio Satanás reencarnado.

Por incrível que pareça, o casamento inter-religião e até mesmo inter-raça também ainda é um enorme tabu na sociedade atual e o mesmo principio da homossexualidade deveria ser aplicado aqui: Não gostas, não comas. Deixa as pessoas amarem quem elas querem e bem lhes apetece.

Então a masturbação em certos países também é uma coisa de outro mundo. Se alguém das Arábias ouvisse os jovens de hoje a falar, ficava chocado com tantas piadas que o povo português (e outros) tem em relação a essa ação. Para não falar da masturbação feminina, que muitos pensam que não existe (até porque as mulheres, para serem sexualmente ativas, precisam da presença de um homem por perto, não é?).

Sabem o que também é um tabu? Foda-se. Uma palavra (que eu escolhi por ser um dos palavrões mais usados) que toda a gente usa com tanta normalidade, mas certas pessoas (principalmente as mais velhas) acham que é quase um ultraje. (Usando o exemplo da minha mãe que sempre que eu digo uma “asneira” parece que o mundo está a acabar ou o meu avô que diz “Meninas bonitas não usam essa linguagem”, dizendo de seguida mais não sei quantas caralhadas enquanto vê uma cena num filme que não está a gostar).

Muitos dos tabus que eu falei aqui são mais aceitáveis num género do que no outro (homossexualidade entre mulheres é levemente mais aceitável – por ser apetecível aos homens…ora ai está a sexualidade da mulher, supostamente, só a existir quando um homem está envolvido -, ser sexualmente ativo antes do casamento é normal quando se pensa nos homens, e o mesmo se sucede no quesito masturbação, por exemplo), e, eu acho, que tudo não passa de uma construção social que já está muito passada.

A lista continua: Pornografia, menstruação, etc.

A maioria destes tabus não passam de escolhas pessoais:

Quero fazer um aborto?

Quero fazer sexo?

Quer estar numa relação com uma pessoa do mesmo sexo?

Quero casar com uma pessoa de uma religião ou raça diferente?

Por aí em diante, vocês perceberam a ideia.

Não são nada para além de escolhas…mas o mundo é muito difícil e complexo.

 

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