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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

06
Nov19

Mas porquê?


Hikarry

Embora esteja num curso de letras, fiz o percurso de científicos no secundário. A escolha não foi minha (e, se dependesse do meu pai, o curso onde estou também não era este e, muito menos, seria numa área que não fosse saúde ou turismo) e só deus sabe o trabalhão que tive para acabar aquilo. 

A discrepância nas minhas notas era clara e a minha vocação também: enquanto tinha tinha 1 a matemática e 6 a físico-química, tinha 18 a português e 17 a filosofia. Se eu tivesse sido esperta e seguido aquilo que eu queria, possivelmente, estava no curso que realmente queria, mas não é disso que vim falar hoje.

Do 10º ao 11º ano tive um professor de português que eu sempre adorei, embora usasse métodos um pouco controversos para nos "incentivar" a subir as notas como, por exemplo, sentar-nos por ordem decrescente de notas quando entregava os testes. Eu nunca liguei, mas havia quem se revoltasse com isso. 

Por mais boa pessoa e engraçado que ele fosse, houve uma coisa que ele disse que sempre me ficou entalada na garganta: Ele tinha a mania de pensar que, só porque estávamos em científicos, éramos uns burros em tudo o que tocava a letras. E ele não era o único, a minha professora de filosofia era igual.

Mas porquê?

Verdade seja dita que os alunos de científicos da minha escola também achavas os de humanidades e os dos cursos profissionais uns burros, mas qual é o motivo? Cada um tem os seus talentos e vocações. Não podemos ser todos iguais.

26
Out19

A teoria do caos...escolar


Hikarry

A minha vida estudantil (e, possivelmente, em geral) foi um desastre mais ou menos até ao 8º ano. Sofri bullying ao ponto de um grupo de malta esperar por mim no portão da escola para me cuspirem em cima quando eu passasse ou, na primária, quando eu tentava ter amigos ou conviver eles deixavam-me jogar futebol com eles só para no final me atirarem ao chão e fazerem uma roda à minha volta enquanto me pontapeavam. A única coisa que eu tinha de bom era ser inteligente (ou pelo menos assim pensava porque a universidade está a provar-me o contrario). 

A minha vida ficou melhor a partir de 2014 porque deixou de haver víboras nas minhas turmas. Parvalhões nunca deixaram de existir (se algo ainda ficaram piores), mas as víboras ficaram reduzidas a 0. Agora na universidade encontrei outra? Sim, mas isso é historia para outro dia.

Sempre fui uma miúda muito quieta nas aulas. Estava no meu canto a fazer as minhas coisas (não necessariamente as coisas que deveria) e estava sempre de camarote quando a bolha explodia, ou não fosse eu pitosga desde os 6 anos, sentando-me sempre nas filas da frente.

Adorava ver uma boa discussão aluno/professor ou mesmo aluno/aluno. Lembro-me tão bem de uma aula de geografia em que um amigo meu (vamos chamar-lhe F) e outro tipo não paravam de mandar bitaites um ao outro até o F perder a paciência, levantar-se da cadeira, pegar nos colarinhos do miúdo, levantá-lo e começar a bater o corpo do tipo contra a parede numa fúria animal. É errado? Com certeza, mas eu tenho um leve gosto em ver tragédia e loucura.

Como esquecer o dia em que um miúdo colocou o próprio relógio dentro das calças e disse à stora que alguém o tinha roubado só para ela fiscalizar a mochila de todos e não dar a aula? A mulher nunca descobriu a tal façanha e a minha mente de 12 anos achou aquilo genial.

O facto de que todos os professores caricatos caiam nas minhas turmas também não era um facto que ajudava em nada. Ou era a professora de ciências naturais que falava mais lentamente que o Cavaco Silva com sono, ou o professor de geografia que tinha sido apanhado no ato do amor com uma professora de matemática dentro de uma sala de aula há uns anos atrás ou então era o professor de português que parecia que tinha medo de nós; gaguejava quando falávamos para ele e nunca fazia contacto visual, para além de começar a suar em bica mal entrava na sala de aula. Também me lembro da professora de físico-química que nunca nos conseguiu dar uma aula, pois, mal  metiam o pé dentro da sala, era algazarra tal que ela só conseguia sentar-se na secretária e tentar sobreviver ao caos imparável. Tanto hoje em dia como antes, eu sempre tive pena daqueles professores porque nós fazíamos deles gato sapato.

Acho que a única situação em que eu não fiquei como espetadora do caos foi quando um autentico idiota estava a tratar a professora de biologia abaixo de cão e, como mais ninguém teve coragem para tal, eu levantei-me e coloquei-o no lugar dele. A professora não me parou, apenas o expulsou da sala quando me sentei de novo e dei o meu discurso como terminado. No dia seguinte, na aula de físico-química, ele começou logo a atirar-se a mim como cão enraivecido que era e eu respondi. Nem o professor de físico-química, que é o ser humano mais sério e disciplinar à face daquela escola, me parou, porque sabia a personagem que aquele ser humano era e, eventualmente, alguém teria que lhe colocar uma ordem e esse alguém acabou por seu esta que vos fala. 

Aqui na universidade (até agora) a única coisa que sucede é um nabiço que está a tirar Filosofia e se põe a debater com a professora de Introdução ao Estudo da Cultura porque acha que ela está sempre errada, só porque a visão filosófica dele é diferente da dela.

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Comentários recentes

  • Nuno

    Pois era! :)

  • Hikarry

    Uma boa comédia diária

  • Hikarry

    Ahah é espantoso o que se encontra por ai!Obrigada...

  • Hikarry

    Rir? Certamente. Também acho que é para isso que s...

  • Hikarry

    Olha que isso é que era uma ideia de valor!

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