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Little Crushed Heart

Aquilo em que me tornei

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Aquilo em que me tornei

13
Fev19

Write My Life


Hikarry

Alguém se lembra daquele desafio que se fazia para ai em 2014 no youtube chamado "Draw My Life"?

Ontem, depois do trabalho, não tinha mais nada que fazer e, depois de ver Bohemian Rhapsody (pela terceira vez) com a minha melhor amiga, começamos a ver esses vídeos antigos no youtube e eu pensei "Porque não colocar isto no blog...mas em palavras...e sem dar a perceber quem sou eu se alguém que eu conheço ler isto...?". Vai ser difícil, porque não vou poder dar muitas informações, mas...Challenge Accepted

Então, tudo começou com um rapaz e uma rapariga que se conheceram numa discoteca manhosa. Apaixonaram-se e, 4 meses depois de estarem a namorar, casaram-se, porque o pai da rapariga expulsou-a de casa e esse era o único jeito dos pais do rapaz a aceitarem na casa deles.

Um ano depois, eles tiveram uma menina; eu. O bebé que toda a gente pensava que era um rapaz porque estava sempre vestido de azul e amarelo! (Oh, the sweet irony of life!)

Era suposto eu ser a única filha, mas: OOPS, lá veio outro a caminho 3 anos e muitos meses depois. E foi assim que nasceu o meu irmão; totalmente por acidente. 

Os anos foram passando e, entre o bullying da primaria e as amizades da secundaria, eu fundei um negocio.

Todas as manhãs, os meus pais iam a um café beber o seu cafezinho habitual e onde a dona me dava pastilhas TODOS OS DIAS; eu gostava de pastilhas, mas pensei: "Hum...eu gosto de pastilhas. Todos os miúdos gostam de pastilhas...E se..?" E foi assim que comecei a vender pastilhas que mudavam a língua para azul e outros sabores para a escola a 10 cêntimos cada. Quando dei por mim, roubaram-me a ideia e os miúdos mais velhos começaram a ir comprar boiões enormes cheios de chupa-chupas a uma loja de doces que havia perto da escola para vender aos miúdos enquanto esperavam pelo autocarro...Cheaters.

O negocio das pastilhas não durou muito e pouca gente sabe dele então...Foi apenas uma curiosidade.

Em 2009 a minha avó e a minha mãe tiveram uma discussão enormíssima. A minha mãe implorou ao meu pai para mudar de casa e lá fomos nós...Praticamente para o fundo da rua.

Em 2014, andava eu no 9º ano, a minha professora de português falou num clube de teatro que ia abrir na cidade e perguntou se alguém estava interessado. Eu era envergonhada, então QUASE não disse nada, se a minha melhor amiga não me levanta-se o braço. Foi assim que eu comecei, realmente no teatro.

O dia das audições deixou-me nervosa. O professor que, no inicio, me assustou, mandou-nos sentar no palco enquanto ele anotava os nossos nomes no computador. 

Eu estava intimidada, mas respirei fundo e sentei-me junto de uma rapariga de cabelos pretos encaracolados. Conversámos e foi a primeira amiga que fiz ali. Os ensaios foram passando e eu comecei a prestar muita atenção numa rapariga ali; demasiada atenção. Mal sabia eu que aqueles olhos verdes me iam tramar mais tarde.

Chegou o 10º e eu tinha que fazer uma escolha: Humanidades ou Científicos? Claro que eu queria tirar humanidades! Implorei ao meu pai para me deixar tirar humanidades, mas ele sempre sonhou comigo numa carreira de saúde enquanto eu sufocava os seus sonhos com uma carreira no teatro e lá vou eu...para um curso que eu odeio.

Foi nesse ano, durante as férias de verão, que comecei a ver uma serie chamada Once Upon a Time. Como partilhadora de posts no facebook que era, eu passava a vida a partilhar coisas sobre essa série que, até hoje, é a minha serie favorita (Guess why, tho).

Numa tarde de Junho, eu recebo uma mensagem:

Hey, vi aquela série dos teus posts. Adorei!

(Yup, I remember.)

Os dias foram passando, muitos dias durante toda as ferias de verão, até ao dia em que nos vimos pela primeira vez, algures em Setembro, depois de 2 meses e algo só a mandar mensagem.

Foi estranho? Foi, mas tudo ficou mais leve passado um pouco. Tudo começou como uma brincadeira mas, tempo vem tempo vai, eu comecei a sentir algo muito estranho por aquela rapariga. 

Fui com a minha turma a uma "visita guiada" à escola dela e, god damn, adoro uma mulher em uniforme.

O tempo foi passando e, em Dezembro de 2015, tudo começou. O melhor ano da minha vida começou e o pior da minha vida veio logo a seguir, juntamente com o próximo.

O tempo, a paciência da minha psicóloga e ela ajudaram-me a superar isso, mas, uma parte de mim, não queria continuar a ser gay. 

Tentei. Tentei demais. Namorei com um rapaz, tentei de tudo, inclusive ver porno hetero sem me apetecer trazer um balde atrás de mim, mas nada resultou. Apenas...Não colou. 

Tenho 18 anos. Adoro pizza. Trabalho num supermercado. Estou a tirar um curso à noite. Estou nem pouco mais ou menos virada para o lado amorosa da vida. E, se um camião não me passar por cima nos próximos anos, vou ter muito mais para contar daqui a uns tempos porque, sinceramente, eu bloqueei a maior parte das memorias da minha infância e é impossível eu dar mais informações sem desvendar quem é o 007 que vos fala deste lado do ecrã então...

 

 

6 comentários

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  • Nuno

    Pois era! :)

  • Hikarry

    Uma boa comédia diária

  • Hikarry

    Ahah é espantoso o que se encontra por ai!Obrigada...

  • Hikarry

    Rir? Certamente. Também acho que é para isso que s...

  • Hikarry

    Olha que isso é que era uma ideia de valor!

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